O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou, na quarta-feira, o aumento considerado abusivo nos preços dos combustíveis em diversas regiões do país. Segundo ele, há empresários que estariam se aproveitando do cenário internacional para elevar os valores sem justificativa, mesmo diante de medidas adotadas pelo governo federal para conter a alta.
Durante discurso em Brasília, o presidente afirmou que a isenção de tributos federais sobre o diesel, como PIS e Cofins, foi implementada justamente para evitar repasses ao consumidor. Ainda assim, segundo Lula, os preços continuam subindo de forma incompatível com a realidade dos custos.
“Tomamos uma decisão de isentar o PIS e Cofins para não deixar o preço do combustível aumentar. Mas quando as pessoas não prestam, não tem jeito. Por que o álcool aumentou se não é feito de petróleo? Por que a gasolina aumentou se somos autossuficientes? É porque está cheio de gente que gosta de tirar proveito da desgraça”, declarou.
As falas ocorreram durante a cerimônia do terceiro Prêmio Mulheres das Águas, que homenageia trabalhadoras com atuação relevante na pesca e na aquicultura. No evento, Lula também abordou o impacto de conflitos internacionais na economia global, destacando que países distantes das zonas de guerra acabam sendo afetados.
O presidente voltou a criticar a atuação das potências que integram o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, afirmando que decisões tomadas por esses países têm repercussões econômicas em todo o mundo. Ele citou que o Brasil, distante geograficamente de regiões em conflito, também sofre as consequências dessas disputas.
“Porque nós, que não temos nada a ver com isso, que estamos a milhares de quilômetros do Irã, do Líbano e de Israel, temos que pagar o preço? Por causa da irresponsabilidade dos cinco membros do Conselho de Segurança, que deveriam estar zelando pela paz”, afirmou.
Lula também criticou os gastos militares globais, argumentando que os recursos poderiam ser direcionados para o combate à fome. Segundo ele, o volume investido em armamentos no último ano seria suficiente para enfrentar a insegurança alimentar em escala mundial.
No Brasil, o governo tem intensificado medidas para conter aumentos considerados irregulares nos combustíveis. A Polícia Federal abriu inquérito para investigar possíveis práticas abusivas no setor, após solicitação do Ministério da Justiça.
De acordo com a Secretaria Nacional do Consumidor, foram identificados casos em que postos elevaram os preços em até trinta e seis por cento ao longo de sete dias, o que levantou suspeitas sobre a existência de distorções no mercado.
Além da investigação, o governo federal também propôs que estados e o Distrito Federal adotem a redução temporária do ICMS sobre a importação de diesel. Como contrapartida, a União sinalizou que poderá compensar parte das perdas de arrecadação, buscando equilibrar os impactos fiscais e conter a alta dos preços ao consumidor final.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

