Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, um levantamento da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais acende um alerta sobre a desigualdade de gênero no mercado de trabalho. O estudo revela que as mulheres ainda ocupam espaço muito reduzido nas chamadas profissões do futuro, especialmente nas áreas ligadas à tecnologia, ciência e inovação.
De acordo com os dados, em Minas Gerais, apenas 0,4% das mulheres atuam em ocupações como inteligência artificial, Big Data e desenvolvimento de software. Entre os homens, esse percentual é de 1,5%, evidenciando uma diferença significativa na participação em setores considerados estratégicos para o crescimento econômico.
A coordenadora da Gerência de Economia da entidade, Juliana Gagliardi, destaca a importância de ampliar a inclusão feminina nessas áreas. Segundo ela, é fundamental que políticas públicas e iniciativas privadas incentivem a qualificação profissional voltada à ciência, tecnologia, engenharia e matemática, conhecidas como áreas STEM.
Ela afirma que programas de capacitação e requalificação são essenciais para reduzir a desigualdade e preparar as mulheres para as transformações do mercado de trabalho. A especialista também reforça que a presença feminina nesses setores contribui para o desenvolvimento econômico e para a inovação.
O levantamento mostra ainda que as mulheres estão mais concentradas em ocupações com maior risco de automação. Em Minas Gerais, 16,6% das trabalhadoras formais estão em funções com alta probabilidade de desaparecer ou sofrer retração, como atendentes de serviços postais, caixas bancários e operadores de caixa. Entre os homens, esse índice é de 5,6%.
Esses dados indicam um cenário preocupante, no qual as mulheres enfrentam dupla desvantagem: estão sub-representadas nas áreas com maior potencial de crescimento e, ao mesmo tempo, concentradas em atividades mais vulneráveis às mudanças tecnológicas.
A projeção é de que muitas dessas funções possam desaparecer até 2030, o que reforça a necessidade de ações imediatas para garantir maior equilíbrio de oportunidades. A inclusão feminina em setores inovadores é vista como fundamental para reduzir desigualdades e fortalecer o mercado de trabalho.
O estudo também aponta predominância masculina em áreas como computação e programação, consideradas essenciais para a transformação digital. Em Minas Gerais, a ampliação da participação feminina nesses segmentos é vista como estratégica para impulsionar o desenvolvimento econômico e tecnológico do estado.
Diante desse cenário, a entidade afirma que continuará apoiando iniciativas voltadas à formação técnica e superior de mulheres, além de projetos que promovam inclusão e igualdade de oportunidades no mercado profissional.
Banco de imagens/Divulgação :FIEMG

