O líder do governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães, passou a ser apontado como o principal nome para assumir a Secretaria de Relações Institucionais no lugar de Gleisi Hoffmann. A mudança deve ocorrer na próxima semana, quando a atual ministra deixará o cargo para disputar uma vaga no Senado pelo Paraná.

De acordo com aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a decisão de manter um integrante do Partido dos Trabalhadores na função já está tomada. A escolha de Guimarães ganhou força após o presidente descartar a indicação de Olavo Noleto, atual chefe do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, que chegou a ser tratado como sucessor natural da ministra.

Nos últimos dias, Lula teria avaliado a necessidade de nomear um político com maior experiência no Congresso Nacional para fortalecer a articulação com deputados e senadores. Nesse cenário, Guimarães se destaca por estar no quinto mandato como deputado federal e por atuar diretamente na coordenação da base governista na Câmara.

A eventual indicação também pode impactar o cenário político no Ceará. Guimarães planejava disputar uma vaga ao Senado, mas a articulação conduzida pelo ministro da Educação, Camilo Santana, pode alterar a composição da chapa estadual. A estratégia envolve negociações com partidos aliados, como União Brasil e Progressistas, o que pode reduzir o espaço para candidaturas próprias do PT.

Além das questões eleitorais, há também avaliações internas sobre a viabilidade do nome de Guimarães em uma disputa majoritária. Parte do partido considera que o deputado ainda enfrenta resistência no estado em razão de episódios do passado, como o caso ocorrido em 2005 envolvendo um assessor que transportava valores em dinheiro de forma irregular. O processo foi encerrado em 2021 sem punições, após prescrição.

No governo federal, a leitura é de que Guimarães reúne condições políticas para assumir a articulação institucional, sobretudo por manter bom relacionamento com os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre. Além disso, sua atuação nos últimos anos o credencia como um dos principais interlocutores do Executivo no Legislativo.

Outro nome citado nos bastidores é o do ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, senador licenciado com mandato até 2030. Ainda assim, a tendência no Planalto é manter o comando da articulação política sob responsabilidade de um quadro do PT, como já ocorreu anteriormente com Alexandre Padilha.

Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados


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