O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou a aliados nos últimos dias que deverá enviar ao Congresso Nacional, nos próximos dias, a mensagem com a indicação do chefe da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. De acordo com interlocutores do governo, há expectativa de que ele se reúna na quinta-feira com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para tratar do tema e destravar o envio da documentação.

Relatos indicam que o encontro entre Lula e Alcolumbre já foi adiado em outras ocasiões, mas, desta vez, o presidente estaria decidido a encaminhar a mensagem independentemente do cenário político. O movimento ocorre em meio à pressão de aliados para reduzir o desgaste entre o Palácio do Planalto e o Senado.

Nos bastidores, ministros e lideranças do Congresso se reuniram com Lula nesta semana e trataram da necessidade de resolver o impasse. A preocupação é com o funcionamento do Supremo Tribunal Federal, que pode ficar com um ministro a menos em meio ao avanço de investigações relevantes.

Durante a reunião, um dos presentes defendeu que o presidente deveria enviar a indicação mesmo diante de resistências ao nome de Messias. A avaliação é que a formalização da mensagem permite ao Senado cumprir seu papel constitucional e dividir a responsabilidade sobre a decisão.

Parlamentares da base governista avaliam que, apesar de resistências pontuais, o nome de Messias é viável e pode avançar no Senado, desde que haja articulação política para garantir um ambiente favorável à sabatina e à votação em plenário.

Ainda não há definição sobre o calendário da análise. Alcolumbre já havia sinalizado que poderia deixar a sabatina para depois das eleições de outubro. No entanto, aliados do governo tentam antecipar o processo, argumentando que o Congresso tende a esvaziar suas atividades a partir de junho.

Entre aliados do presidente do Senado, há insatisfação com a atuação da Polícia Federal em investigações que atingem parlamentares. Esses interlocutores afirmam ver influência do Planalto no avanço dessas apurações, o que contribui para tensionar o ambiente político.

No governo, por outro lado, há expectativa de que o diálogo entre Lula e Alcolumbre ajude a melhorar o clima e facilite a tramitação da indicação. A reunião entre os dois é vista como fundamental para alinhar posições e reduzir ruídos acumulados nos últimos meses.

A indicação de Jorge Messias foi anunciada por Lula em 20 de novembro, após a abertura de vaga no Supremo. A escolha contrariou parte da cúpula do Senado, que defendia o nome do senador Rodrigo Pacheco. Desde então, houve um distanciamento entre Alcolumbre e o Planalto.

Em dezembro, o presidente do Senado chegou a marcar a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça, mas o governo optou por não formalizar o envio da mensagem naquele momento, diante da avaliação de que o cenário era desfavorável. A decisão foi interpretada como uma estratégia para ganhar tempo.

Aliados do presidente avaliam que o envio da indicação agora também funciona como um gesto político ao Senado, permitindo que a Casa avance na análise do nome mesmo diante do risco de rejeição.

A expectativa é que os próximos dias sejam decisivos para o encaminhamento da indicação e para a definição do futuro de Jorge Messias no Supremo Tribunal Federal.

Fonte: O Globo

Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo


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