A Polícia Federal deflagrou nova fase da Operação Exfil com o objetivo de aprofundar investigações sobre um esquema de obtenção ilegal de dados fiscais de autoridades e familiares. A ação inclui o cumprimento de mandado de prisão preventiva e seis mandados de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo.
O principal alvo é o empresário Marcelo Conde, do setor imobiliário, suspeito de financiar o acesso irregular a informações protegidas por sigilo fiscal. Segundo as investigações, ele teria pago servidores públicos para obter dados da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
De acordo com a Polícia Federal, o empresário não foi localizado até o momento e há indícios de que esteja fora do país. A defesa informou que ainda não teve acesso à decisão judicial e aguarda autorização para analisar o conteúdo do processo.
As investigações apontam que o esquema pode ter atingido dados de 1.819 contribuintes, incluindo pessoas ligadas a ministros do Supremo, do Tribunal de Contas da União, parlamentares e outras autoridades públicas.
A primeira fase da operação ocorreu em fevereiro, quando quatro servidores da Receita Federal foram alvo de medidas cautelares, incluindo afastamento das funções e quebra de sigilos. Também houve restrições de deslocamento e recolhimento domiciliar em horários determinados.
Em etapas posteriores, outros investigados foram identificados, entre eles um vigilante de uma unidade da Receita Federal e um contador apontado como um dos articuladores do esquema. As apurações indicam que os acessos ilegais ocorreram entre 2024 e 2026.
A Receita Federal confirmou a ocorrência de acessos indevidos e informou que adotou medidas para reforçar o controle sobre seus sistemas, destacando que eventuais irregularidades são passíveis de punição administrativa e criminal.
O caso ganhou repercussão por envolver autoridades do Judiciário e reforça preocupações sobre a segurança de dados sensíveis no país. A investigação segue em andamento e novas diligências não estão descartadas.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

