O Governo de Minas Gerais antecipou medidas para enfrentar o aumento dos casos de doenças respiratórias e reforçar o atendimento na rede pública de saúde, com foco especial na população infantil. A estratégia foi apresentada em Belo Horizonte pela Secretaria de Estado de Saúde e pela Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais e prevê ampliação de leitos, contratação de profissionais e intensificação da vacinação em todo o estado.
A principal ação envolve o reforço da capacidade hospitalar. No Hospital Infantil João Paulo II, referência pediátrica na capital, foram abertos sete novos leitos de terapia intensiva, além da ampliação da estrutura de enfermaria, consultórios de urgência e espaços destinados à estabilização de pacientes. A unidade também recebeu reforço de pessoal, com a contratação de profissionais de diferentes áreas, incluindo médicos, enfermeiros e fisioterapeutas respiratórios.
De acordo com o secretário estadual de Saúde, Fábio Baccheretti, a prioridade é garantir atendimento adequado para casos mais graves, especialmente aqueles que exigem suporte especializado. Ele destacou que o período entre março e maio costuma registrar aumento expressivo na demanda por atendimentos respiratórios, com crescimento significativo nas internações e nos atendimentos de pronto-socorro.
O avanço das doenças respiratórias já é observado em diferentes regiões de Minas, com maior intensidade no Norte e no Leste do estado. Segundo o governo, a expansão da rede hospitalar no interior tem contribuído para reduzir a pressão sobre a capital, permitindo melhor distribuição dos pacientes e maior eficiência no atendimento.
Além da ampliação de leitos, o estado tem investido na organização da rede assistencial. Novos leitos de alta complexidade foram implantados em cidades do interior, e há previsão de abertura de unidades adicionais em hospitais regionais nas próximas semanas. A medida busca evitar sobrecarga em centros de referência e garantir acesso mais rápido ao atendimento.
A vacinação continua sendo apontada como a principal ferramenta de prevenção. O estado já distribuiu cerca de um milhão e meio de doses da vacina contra a gripe aos municípios e mantém campanhas para ampliar a cobertura, incluindo a realização de um dia de mobilização estadual. O objetivo é reduzir casos graves e internações, especialmente entre grupos mais vulneráveis.
O calendário vacinal também inclui imunizantes contra outras doenças respiratórias, como covid-19, pneumocócica e Haemophilus influenzae tipo b. Neste ano, novas estratégias foram incorporadas, como a imunização de gestantes contra o vírus sincicial respiratório e o uso de anticorpos monoclonais em crianças de maior risco.
Outra medida adotada foi a ativação de uma sala de monitoramento dedicada ao acompanhamento dos vírus respiratórios. O sistema permite o acompanhamento em tempo real dos dados de casos, internações e ocupação de leitos, possibilitando respostas mais rápidas diante do aumento da demanda.
Para sustentar a operação durante o período de maior pressão, o governo estadual destinou cerca de quinze milhões de reais para ampliar a assistência hospitalar, incluindo custeio de equipes, medicamentos e insumos. Segundo a Secretaria de Saúde, o investimento é
necessário para garantir a qualidade do atendimento diante do aumento do consumo de recursos.
Dados recentes indicam que Minas Gerais já registrou milhares de notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave neste ano, com casos relacionados a covid-19, influenza e vírus sincicial respiratório. A expectativa é de que o número de atendimentos continue crescendo nas próximas semanas, o que reforça a importância das medidas preventivas e da preparação antecipada da rede de saúde.
Foto: Pedro Chagas

