O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, anunciou nesta quinta-feira (9) a liberação de R$ 53 milhões para a construção de um sistema de abastecimento de água na maior reserva indígena urbana do país, localizada em Dourados, no Mato Grosso do Sul. A medida busca enfrentar um problema histórico de escassez hídrica que afeta milhares de indígenas da região.
A reserva é composta pelas aldeias Bororó e Jaguapiru, que abrigam cerca de 20 mil indígenas dos povos Guarani Nhandeva, Guarani Kaiowá e Terena. Há mais de cinco anos, as comunidades convivem com dificuldades no acesso à água potável, situação que se agravou recentemente com o aumento de casos de chikungunya no município.
Dados do Ministério da Saúde apontam que Dourados registrou 3.596 notificações da doença, com 1.314 casos confirmados, sendo 914 entre indígenas. O cenário reforçou a urgência de investimentos estruturais para garantir melhores condições sanitárias e de saúde pública.
Segundo o ministro, a ordem de serviço para início das obras já foi assinada, permitindo que o projeto avance para a fase de execução. Ele destacou que a iniciativa foi uma das primeiras ações adotadas ao assumir a pasta, diante da gravidade da situação enfrentada pelas comunidades.
O projeto prevê a construção de dois super poços, com sistema completo de distribuição de água para atender as aldeias. A execução ficará sob responsabilidade do governo estadual, por meio da empresa de saneamento Sanesul.
De acordo com a empresa, o projeto está em fase de aprovação junto à Caixa Econômica Federal, responsável pelo repasse dos recursos. Paralelamente, já foram iniciados os trâmites para contratação da etapa de perfuração dos poços, com expectativa de início das atividades ainda neste semestre.
A previsão é de que a obra seja concluída em até dois anos, após a liberação definitiva dos recursos e publicação dos editais necessários para as demais etapas de execução.
Enquanto o sistema definitivo não é implantado, as comunidades continuam sendo atendidas por soluções emergenciais. Atualmente, 15 poços provisórios foram instalados por meio de parceria com a Universidade Federal da Grande Dourados, garantindo o abastecimento mínimo com uso de bombas, caixas d’água e energia solar.
Eloy Terena ressaltou que a criação de uma instância de governança para acompanhar os investimentos também está em discussão com lideranças indígenas. A proposta é assegurar transparência e monitoramento contínuo da aplicação dos recursos.
Para o ministro, os chamados super poços representam uma solução definitiva para o problema, ao permitir a distribuição adequada de água e melhorar as condições de vida das comunidades atendidas.
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

