O pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou que tem mantido conversas com a ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira, Teresa Vendramini, mas ressaltou que ainda não há definição sobre a composição de sua chapa. Segundo ele, o processo será conduzido sem pressa, com foco na construção de alianças e na elaboração de um plano de governo.

Haddad citou o nome de Teresa, conhecida como Teca, entre possíveis opções para a vaga de vice, ao lado de lideranças como Márcio França, Marina Silva e Simone Tebet. Embora tenha destacado a importância da representante do agronegócio, ele evitou confirmar qualquer convite formal.

A aproximação com Teresa Vendramini é vista como uma tentativa de ampliar o diálogo com o setor rural e reduzir resistências históricas ao Partido dos Trabalhadores no interior paulista. Haddad destacou que ela representa um segmento moderno do agronegócio, comprometido com práticas sustentáveis e com a produção de alimentos a custos acessíveis.

O ex-ministro afirmou que, nas conversas, incentivou Teresa a participar da vida pública e considerar uma atuação política mais direta. A recente filiação dela ao PDT foi recebida com entusiasmo por aliados, que avaliam a possibilidade de sua inclusão na chapa como estratégica para ampliar o alcance eleitoral.

Haddad também ressaltou que a definição dos nomes que comporão a chapa será resultado de um processo coletivo, envolvendo diferentes partidos aliados. Ele destacou que há um grupo de legendas já engajadas na construção do projeto, incluindo o PSOL, além de outras siglas em negociação.

No campo do Senado, o cenário também permanece em aberto. O nome de Simone Tebet aparece como um dos mais consolidados para uma das vagas, enquanto a segunda cadeira é alvo de disputa entre Márcio França e Marina Silva. A composição final ainda depende de negociações entre os partidos.

Além das articulações internas, Haddad tem buscado ampliar o diálogo com outras lideranças políticas do estado. Ele confirmou que entrou em contato com Gilberto Kassab, ex-prefeito de São Paulo, com o objetivo de ouvir sua avaliação sobre o cenário político estadual.

Segundo Haddad, a intenção é construir pontes e compreender diferentes perspectivas, sem estabelecer compromissos imediatos. Ele afirmou que conversas desse tipo devem ocorrer de forma gradual, evitando expectativas antecipadas sobre possíveis alianças.

Kassab, que recentemente deixou o governo de Tarcísio de Freitas, ainda não definiu seu posicionamento em relação à disputa estadual. Embora tenha mantido apoio público ao atual governador, há sinais de distanciamento nos bastidores, o que abre espaço para novas articulações.

Haddad enfatizou que seu foco atual está na construção de um plano de governo consistente, que possa ser apresentado como alternativa à gestão atual. Para isso, equipes técnicas ligadas aos partidos aliados já trabalham na elaboração de propostas para o estado.

O pré-candidato destacou que pretende dialogar com diferentes setores da sociedade, incluindo o agronegócio, a indústria e os serviços, buscando uma abordagem ampla e equilibrada para o desenvolvimento de São Paulo.

Ao adotar um tom cauteloso, Haddad sinaliza que a definição da chapa será fruto de negociações complexas, que envolvem interesses partidários e estratégias eleitorais. A expectativa é que as decisões sejam tomadas ao longo dos próximos meses, à medida que o cenário político se consolide.

Fotos: Diogo Zacarias/MF


Avatar

administrator