A defesa da ex-deputada Carla Zambelli apresentou recurso à Corte de Cassação da Itália para tentar reverter a decisão que autorizou sua extradição ao Brasil. A informação foi confirmada nesta sexta-feira pelos advogados da parlamentar.
No mês passado, a Corte de Apelação da Itália aceitou o pedido de extradição, mas a decisão ainda não é definitiva, já que cabe recurso à instância superior. A Corte de Cassação é o último nível do Judiciário italiano e pode levar até seis meses para analisar o caso.
Segundo o advogado Fábio Pagnozzi, a defesa questiona supostas irregularidades no processo, além de levantar preocupações sobre o sistema prisional brasileiro e críticas à atuação do ministro Alexandre de Moraes, responsável pela condução do caso no Brasil.
De acordo com a defesa, também há questionamentos sobre a correspondência do crime atribuído à ex-deputada na legislação italiana, o que poderia dificultar a extradição. Os advogados sustentam que houve falhas na formalização do pedido encaminhado pelas autoridades brasileiras.
Caso a Corte de Cassação mantenha a decisão favorável à extradição, a palavra final caberá ao Ministério da Justiça da Itália, que avaliará se autoriza o retorno de Zambelli ao Brasil.
A ex-deputada foi presa em julho do ano passado em Roma, após deixar o país em busca de asilo político. Ela possui dupla cidadania e foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal a 10 anos de prisão.
A condenação está relacionada à invasão do sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça, ocorrida em 2023. Segundo as investigações, Zambelli teria sido a autora intelectual do ataque, que resultou na emissão de um falso mandado de prisão contra Alexandre de Moraes.
O hacker Walter Delgatti também foi condenado e afirmou ter executado a ação a mando da ex-deputada.
Foto: Lula Marques/Agência Brasil

