O Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos, conhecido pela sigla ICE, responsável pela prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem, acumula um histórico significativo de detenções de brasileiros em território norte-americano. Dados oficiais indicam que, nos últimos 5 anos, 9.825 cidadãos brasileiros foram detidos em operações migratórias conduzidas pela agência.

Os números também revelam que 783 dessas detenções ocorreram na área de atuação do escritório do ICE em Miami, que abrange o estado da Flórida, local onde Ramagem foi preso. A região concentra uma das maiores comunidades brasileiras nos Estados Unidos, o que contribui para o volume expressivo de ocorrências.

A prisão de Ramagem ocorreu na segunda-feira e foi resultado de cooperação entre autoridades brasileiras e norte-americanas. A Polícia Federal informou que a ação foi possível por meio de colaboração internacional, destacando que o ex-deputado era considerado foragido da Justiça brasileira após condenação por crimes graves.

No Brasil, Ramagem foi sentenciado a 16 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal, em julgamento relacionado à tentativa de golpe de Estado. Ele foi condenado pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. A decisão foi tomada no mesmo processo que envolveu o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Após a condenação, Ramagem deixou o país em setembro do ano passado. Ele atravessou a fronteira entre Roraima e a Guiana antes de seguir para os Estados Unidos, onde se estabeleceu com a família na cidade de Miami. Durante o trajeto, há suspeitas de que tenha utilizado documentos falsos.

A detenção reacende discussões sobre o papel do ICE e suas práticas. A agência tem sido alvo de críticas nos Estados Unidos devido ao aumento das operações migratórias e às táticas consideradas rigorosas por organizações de direitos civis. A pressão política aumentou após episódios recentes envolvendo ações federais, incluindo a morte de 2 cidadãos norte-americanos em Minnesota, o que intensificou protestos e levou a mudanças na liderança do Departamento de Segurança Interna.

No campo político brasileiro, a situação de Ramagem também teve desdobramentos institucionais. Em dezembro do ano passado, a Câmara dos Deputados cassou seu mandato por meio de ato administrativo, no mesmo dia em que também foi formalizada a perda de mandato de outro parlamentar.

Ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência, Ramagem contestou a decisão à época, argumentando que a medida deveria ter sido submetida ao plenário da Câmara. Ainda assim, a decisão foi mantida pela Mesa Diretora.

A detenção nos Estados Unidos pode acelerar o processo de retorno do ex-deputado ao Brasil. Em vez de um longo trâmite de extradição, há a possibilidade de expulsão sumária do território norte-americano, procedimento que tem sido adotado com maior frequência nos últimos anos em casos migratórios.

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil


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