O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a fazer críticas indiretas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante discurso neste domingo na Feira de Hannover, na Alemanha. Em meio ao aumento das tensões internacionais, o chefe do Executivo brasileiro afirmou que o mundo não pode se submeter a decisões unilaterais tomadas por líderes globais.

Sem citar nominalmente o líder norte-americano em determinado momento, Lula afirmou que não é possível permitir que um presidente utilize redes sociais para impor sanções, taxar produtos ou estimular conflitos. A fala ocorre em meio a divergências recentes entre os dois países, especialmente após medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos.

Ao longo do discurso, o presidente destacou o aumento no número de guerras em curso no mundo e classificou o cenário atual como o mais grave desde a Segunda Guerra Mundial. Segundo ele, há uma contradição entre os avanços tecnológicos e a persistência de crises humanitárias.

Lula afirmou que, enquanto a humanidade alcança feitos científicos como missões espaciais, conflitos armados continuam causando mortes de civis, incluindo mulheres e crianças. O presidente também criticou o volume de recursos destinados a guerras, em detrimento de investimentos sociais.

Não é possível que nós estejamos gastando trilhões com guerra e nada para acabar com a fome no planeta” declarou.

Durante sua fala, Lula mencionou diretamente lideranças internacionais, como Vladimir Putin, Emmanuel Macron e Xi Jinping, questionando o papel do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. Para ele, os países com maior poder global deveriam atuar de forma coordenada para interromper conflitos e buscar soluções pacíficas.

As críticas ao governo norte-americano também têm relação com decisões econômicas recentes. Lula já havia se manifestado no dia anterior, durante evento em Barcelona, na Espanha, quando respondeu a medidas comerciais impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

O presidente brasileiro também abordou os impactos econômicos dos conflitos internacionais, especialmente no mercado de energia. Ele citou a instabilidade envolvendo o Irã e destacou que a alta nos preços do petróleo tem reflexos diretos na economia brasileira, pressionando custos e afetando políticas internas.

Além da pauta geopolítica, Lula tratou de temas ligados à inovação e ao futuro do trabalho. Ele alertou para os desafios relacionados ao avanço da inteligência artificial e defendeu que o desenvolvimento tecnológico leve em consideração os impactos sobre trabalhadores.

Segundo o presidente, é necessário garantir que os benefícios das novas tecnologias sejam distribuídos de forma mais justa, evitando a ampliação das desigualdades sociais. Ele reforçou que o progresso econômico deve estar aliado à inclusão social.

Na parte final do discurso, Lula afirmou que o Brasil está aberto a parcerias internacionais, desde que baseadas no respeito à soberania e à democracia. O presidente destacou que o país busca fortalecer relações diplomáticas com diferentes nações, mantendo compromisso com valores democráticos.

— A única coisa que nós queremos é a certeza de que a nossa relação será pensando no fortalecimento da democracia e na soberania do povo de cada país — afirmou.

A participação na Feira de Hannover integra a agenda internacional de Lula na Europa, que inclui compromissos na Espanha, Alemanha e Portugal. A viagem ocorre em um momento de intensificação do debate global sobre segurança, economia e cooperação internacional.

Foto: Ricardo Stuckert / PR


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