Um levantamento recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada revelou que a presença indígena na liderança de grupos de pesquisa no Brasil ainda é bastante reduzida. De acordo com os dados, o país possui 252 indígenas nessa posição, o que corresponde a apenas 0,38% do total de líderes científicos registrados.
O percentual é inferior à representação indígena na população brasileira, que alcança 0,83% dos mais de 203 milhões de habitantes, segundo o censo mais recente. A diferença evidencia um cenário de sub-representação em espaços estratégicos para a produção de conhecimento e definição de agendas científicas.
Os líderes de pesquisa exercem papel central no ambiente acadêmico, sendo responsáveis por coordenar equipes, orientar novos pesquisadores e definir linhas de investigação. Também cabe a eles manter atualizadas as informações no Diretório de Grupos de Pesquisa, ligado à Plataforma Lattes, sistema que reúne a produção científica nacional.
O estudo analisou dados entre os anos de 2000 e 2023 e identificou crescimento no número de lideranças indígenas. Em 2000, eram 46 pesquisadores nessa função, representando 0,25%. Ao longo das décadas, houve avanço tanto em números absolutos quanto proporcionais, ainda que em ritmo considerado lento.
Outro ponto destacado é o predomínio masculino entre essas lideranças na maioria das áreas do conhecimento. A exceção ocorre nas ciências da vida, que incluem campos como saúde, biotecnologia e biologia, onde há maior presença feminina.
Os pesquisadores responsáveis pelo estudo indicam que a próxima etapa será aprofundar a análise qualitativa, buscando compreender as trajetórias desses líderes indígenas, os desafios enfrentados e suas contribuições específicas para a ciência no país.
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

