A Igreja Matriz de São Jorge, localizada em Quintino, na zona norte do Rio de Janeiro, foi elevada à condição de santuário em cerimônia realizada no dia dedicado ao santo guerreiro. O anúncio foi feito durante missa presidida pelo cardeal Dom Orani Tempesta e marcou um reconhecimento formal à relevância religiosa e histórica do templo para os fiéis.
A elevação do templo a santuário representa um título concedido pela Igreja Católica a espaços de grande importância para peregrinações, devoção popular e expressão da fé. No caso da igreja de Quintino, a decisão reconhece décadas de tradição ligadas ao culto de São Jorge e ao papel do local como referência espiritual para milhares de devotos.
A administração da igreja celebrou a decisão como marco histórico e destacou a trajetória da comunidade que manteve viva a devoção ao santo ao longo das gerações. A paróquia foi criada oficialmente em 1945, quando foi nomeado o primeiro pároco da comunidade, consolidando institucionalmente uma devoção que já existia antes mesmo da formalização da igreja.
Segundo registros da paróquia, a origem da devoção no local remonta a encontros de oração promovidos por mulheres que rezavam o terço em uma varanda na rua Clarimundo de Melo, onde hoje está o santuário. A tradição ganhou força quando um português presenteou o grupo com uma imagem de São Jorge trazida de seu país de origem.
Posteriormente, foi adquirido o terreno onde foi erguida uma capela simples dedicada ao santo. O acesso ao espaço era feito por 54 degraus estreitos, o que se tornou parte da memória afetiva dos fiéis e da identidade religiosa do lugar.
A transformação em santuário reforça também o peso simbólico de São Jorge na religiosidade brasileira. O santo é uma das figuras mais populares do catolicismo e reúne expressiva devoção em diferentes tradições religiosas.
No estado do Rio de Janeiro, o dia de São Jorge é feriado desde 2008 e, em 2019, o santo foi oficializado como padroeiro estadual. Sua imagem está associada à coragem, proteção e à vitória do bem sobre o mal.
Além do catolicismo romano, São Jorge é reverenciado em tradições como a Igreja Anglicana e a Ortodoxa. Também ocupa papel central no sincretismo religioso brasileiro, especialmente nas religiões afro-brasileiras.
Na Umbanda e no Candomblé, o santo é frequentemente associado a Ogum, orixá guerreiro ligado ao ferro e às batalhas. Em algumas regiões, como a Bahia, também pode ser relacionado a Oxóssi.
Com a nova condição de santuário, a expectativa é de ampliação das peregrinações, fortalecimento do turismo religioso e aumento das atividades pastorais e celebrações ligadas à devoção de São Jorge, consolidando o templo como um dos principais centros religiosos dedicados ao santo no país.
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