Um grupo de sete pesquisadores lançou em São Paulo o livro “Guia da Gestão Pública Antirracista”, obra que reúne análises e propostas práticas para fortalecer políticas de enfrentamento ao racismo institucional e às desigualdades raciais na administração pública. A publicação é voltada a gestores, lideranças e servidores e busca orientar a formulação de medidas concretas para promoção da igualdade racial.
Segundo a pesquisadora Clara Marinho, uma das autoras, o trabalho surgiu da percepção de que faltavam instrumentos práticos para informar quais políticas antirracistas já existem no setor público, quais obstáculos persistem e quais caminhos podem ser adotados para ampliar resultados.
A obra apresenta fundamentos conceituais, experiências institucionais e um roteiro de ações para auxiliar agentes públicos na implementação de políticas voltadas ao combate do racismo estrutural. Também destaca a importância de utilizar dados raciais produzidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística para orientar diagnósticos e decisões administrativas.
De acordo com os pesquisadores, o material busca apoiar servidores no enfrentamento de problemas complexos e ampliar repertórios de atuação. A proposta é oferecer uma espécie de introdução aplicada sobre políticas públicas antirracistas, combinando reflexão acadêmica e orientação prática.
Entre os temas abordados está a desigual distribuição de pessoas negras no serviço público. Embora o ingresso ocorra por concurso, os autores apontam concentração de profissionais negros em cargos menos valorizados e mais distantes de áreas estratégicas do governo.
Além de Clara Marinho, assinam o livro Michael França, Giovani Rocha, Ellen da Silva, João Pedro Caleiro, Lia Pessoa e Karoline Belo. O lançamento foi acompanhado de debate com os autores e novas apresentações estão previstas em Brasília.
Segundo os organizadores, a publicação busca contribuir para que o Estado cumpra papel ativo na promoção da igualdade racial e na validação de demandas sociais historicamente negligenciadas. Para os autores, políticas antirracistas exigem planejamento, continuidade institucional e compromisso da gestão pública com redução das desigualdades. O grupo avalia que a iniciativa pode servir de referência para governos, universidades e órgãos públicos interessados em incorporar critérios de equidade racial em políticas permanentes.
Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil

