A sabatina do advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado ao Supremo Tribunal Federal, teve momento de tensão após declaração do senador Márcio Bittar sobre o cantor Caetano Veloso gerar reação imediata em plenário.

Durante intervenção na sessão, Bittar afirmou que Caetano teria “pegado em armas” durante a ditadura militar. A declaração foi prontamente contestada pelo senador Otto Alencar, que reagiu afirmando que o artista nunca participou de luta armada e que sua trajetória sempre esteve ligada à música e à resistência cultural.

O episódio ocorreu em meio à análise da indicação de Messias, que precisa do aval do Senado para assumir a vaga aberta na Corte. Embora a sabatina tivesse como foco a avaliação jurídica e institucional do indicado, a troca de declarações acabou desviando momentaneamente as atenções.

A correção feita por Otto Alencar se apoiou em registros históricos sobre a trajetória de Caetano durante o regime militar. O artista foi preso em 1968 sob acusações relacionadas à sua atuação cultural e, no ano seguinte, seguiu para o exílio em Londres, onde permaneceu até 1972.

Não há registros históricos de participação de Caetano Veloso em organizações armadas ou ações de guerrilha. Sua oposição ao regime ficou marcada sobretudo pela atuação artística e pelo papel do movimento tropicalista no ambiente político e cultural da época.

A intervenção de Otto buscou corrigir a informação no momento em que foi apresentada e teve repercussão imediata entre parlamentares. O episódio acabou se somando aos momentos de embate político que marcaram a sabatina, em sessão acompanhada com atenção por governistas e oposição.

Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado


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