O ex-ministro Aldo Rebelo afirmou que poderá recorrer à Justiça caso o partido Democracia Cristã decida barrar sua pré-candidatura à Presidência da República para apoiar o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa. A movimentação provocou uma crise interna na legenda e ampliou a divisão entre dirigentes nacionais e estaduais do partido sobre quem deverá representar o DC na disputa presidencial de 2026.

Aldo Rebelo havia sido anunciado oficialmente pela legenda em fevereiro deste ano como pré-candidato ao Palácio do Planalto. Nos últimos dias, porém, integrantes da direção nacional passaram a defender o lançamento de Joaquim Barbosa como alternativa eleitoral, após pesquisas internas apontarem desempenho mais competitivo do ex-magistrado em estados estratégicos, especialmente no Paraná e no Rio de Janeiro.

Em entrevista, Aldo Rebelo declarou que considera a movimentação em torno de Joaquim Barbosa uma espécie de “balão de ensaio”, estratégia utilizada para testar a reação política e pública antes da consolidação definitiva de uma candidatura. Segundo ele, o fato de o ex-presidente do STF ainda não ter se pronunciado oficialmente reforça a percepção de que não existe definição concreta dentro da legenda.

Mesmo assim, Aldo afirmou que levará a disputa para a convenção partidária e, caso perceba tentativa de inviabilizar sua candidatura, pretende recorrer ao Judiciário. O ex-ministro disse que considera legítimo o debate interno, mas ressaltou que não aceitará ser afastado da disputa sem reação política e jurídica.

A crise no DC também provocou manifestações divergentes entre lideranças regionais. O presidente nacional da legenda, João Caldas, afirmou que Joaquim Barbosa conduz o processo com cautela e discrição. Segundo ele, pessoas próximas ao ex-ministro do STF procuraram o partido demonstrando interesse em viabilizar a candidatura presidencial.

Primeiro ministro negro a presidir o Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa ganhou notoriedade nacional como relator do julgamento do mensalão, processo que condenou integrantes históricos do PT, entre eles o ex-ministro José Dirceu. Indicado ao STF durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Barbosa deixou a Corte em 2014 após antecipar sua aposentadoria.

Já Aldo Rebelo possui longa trajetória política ligada à esquerda nacionalista. Durante os governos petistas, ocupou os ministérios da Defesa, do Esporte e da Ciência e Tecnologia, além de coordenar a Secretaria de Relações Institucionais. Nos últimos anos, entretanto, aproximou-se de setores conservadores e passou a defender pautas ligadas ao desenvolvimento nacional, soberania e fortalecimento das Forças Armadas.

A possível entrada de Joaquim Barbosa na disputa presidencial dividiu diretórios estaduais do DC. Em São Paulo, o presidente estadual da legenda, Cândido Vaccarezza, afirmou que considera Barbosa “inapoiável” e declarou que trabalhará contra a candidatura do ex-ministro do STF dentro do partido. Em Roraima, o presidente regional do DC, Paulo César Quartiero, também criticou a possibilidade de substituição de Aldo Rebelo e afirmou que a legenda estaria “trocando um estadista por um vigarista”.

Apesar do clima de confronto interno, Aldo Rebelo afirmou que manterá normalmente sua agenda política e seguirá articulando apoios regionais enquanto aguarda definição da executiva nacional. Caso os dois nomes permaneçam colocados até a convenção partidária, prevista para ocorrer entre julho e agosto, a disputa poderá ser decidida tanto politicamente quanto judicialmente, ampliando ainda mais a instabilidade interna do Democracia Cristã em pleno período de pré-campanha presidencial.

Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil


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