A Polícia Federal prendeu um cidadão chileno investigado por injúria racial e homofóbica praticada contra tripulantes de um voo internacional da companhia aérea LATAM Airlines que fazia o trajeto entre o Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, e Frankfurt, na Alemanha. O caso ocorreu no último dia 10 de maio, mas a prisão preventiva do passageiro foi realizada na sexta-feira seguinte após decisão da Justiça Federal.
Segundo informações divulgadas pela Polícia Federal, o homem tentou abrir a porta da aeronave durante o voo e precisou ser contido por integrantes da tripulação. Durante a intervenção, passou a dirigir ofensas de cunho racial e homofóbico aos profissionais responsáveis pela segurança da cabine e pelo atendimento aos passageiros.
Após o registro formal da ocorrência pelas vítimas, a PF instaurou procedimento investigativo que resultou no pedido de prisão preventiva do estrangeiro. A corporação informou que a medida foi autorizada pela Justiça Federal diante da gravidade das acusações e das circunstâncias registradas dentro da aeronave.
A Agência Nacional de Aviação Civil divulgou nota pública de repúdio ao episódio e classificou o comportamento do passageiro como incompatível com os princípios de respeito, civilidade e segurança exigidos no ambiente aeronáutico. A agência afirmou ter tomado conhecimento oficial do caso apenas no domingo e declarou solidariedade aos tripulantes e passageiros envolvidos.
Segundo a Anac, atitudes discriminatórias e agressivas dirigidas à tripulação são consideradas inadmissíveis, principalmente em situações operacionais que exigem controle emocional, segurança coletiva e cumprimento rigoroso dos protocolos de voo. O órgão também informou que acompanhará a apuração do caso e poderá aplicar sanções administrativas dentro das competências regulatórias da aviação civil brasileira.
A agência destacou ainda que novas regras relacionadas a passageiros indisciplinados entrarão em vigor a partir de 14 de setembro. As normas preveem punições mais severas para comportamentos considerados gravíssimos, incluindo multas de até R$ 17,5 mil e inclusão do infrator em listas de impedimento de embarque em voos comerciais.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o momento em que o passageiro chileno discute com integrantes da tripulação e se recusa a obedecer às orientações para permanecer sentado. Nas imagens, é possível ouvir o homem fazendo declarações ofensivas contra pessoas negras, brasileiros e homossexuais. Em determinado momento, ele chama um dos funcionários de “macaco” e imita sons atribuídos ao animal enquanto outros tripulantes tentam conter a situação.
O episódio reacendeu debates sobre segurança aérea, racismo e violência contra trabalhadores da aviação civil. Entidades ligadas ao setor defendem punições mais rígidas para passageiros envolvidos em agressões físicas ou verbais durante voos comerciais, principalmente em casos que coloquem em risco a integridade da tripulação e dos demais passageiros a bordo da aeronave.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

