O mercado financeiro voltou a elevar as projeções para inflação e taxa básica de juros no Brasil, segundo dados divulgados nesta segunda-feira pelo Banco Central do Brasil por meio do Boletim Focus. De acordo com o levantamento, a expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, indicador oficial da inflação brasileira, passou de 4,91% para 4,92% em 2026, marcando a décima alta semanal consecutiva nas previsões do mercado.
Há quatro semanas, a estimativa inflacionária para o próximo ano estava em 4,8%, demonstrando crescimento gradual da preocupação de economistas e instituições financeiras com a trajetória dos preços no país. Para 2027, a expectativa de inflação permanece em 4%, enquanto para 2028 a projeção é de 3,65%.
Segundo dados divulgados recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a inflação desacelerou em abril e encerrou o mês em 0,67%. Mesmo assim, o grupo de alimentos e bebidas continuou exercendo forte pressão sobre o índice, registrando alta de 1,34% no período.
A meta oficial de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Dessa forma, o teto permitido atualmente é de 4,5%, patamar que segue abaixo da expectativa projetada pelo mercado para 2026.
Para tentar controlar a inflação, o Banco Central utiliza a taxa Selic como principal instrumento da política monetária. Atualmente, os juros básicos da economia estão em 14,5% ao ano, definidos pelo Comitê de Política Monetária. O Boletim Focus também elevou a previsão da Selic para o fim de 2026, passando de 13% para 13,25% ao ano.
As estimativas para os anos seguintes indicam redução gradual dos juros, com previsão de Selic em 11,25% em 2027 e 10% em 2028. Já as projeções para dólar e crescimento econômico permaneceram estáveis. O mercado estima que a moeda norte-americana encerrará 2026 cotada a R$ 5,20, enquanto o Produto Interno Bruto deverá crescer 1,85% no período.
Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

