A Câmara da Indústria de Alimentos e Bebidas da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais realizou nesta terça-feira reunião na sede da entidade, em Belo Horizonte, para discutir temas estratégicos relacionados à competitividade industrial, eficiência energética e oportunidades comerciais geradas pelo acordo entre Mercosul e União Europeia.
O encontro foi conduzido pelo presidente do colegiado, Winícius Dantas, que destacou inicialmente as comemorações do Dia da Indústria promovidas pela FIEMG nesta quinta-feira. Ele também comentou os resultados da feira do setor de panificação realizada na semana passada e os desdobramentos econômicos do evento para o segmento alimentício mineiro.
Entre os principais temas debatidos esteve o programa PotencializEE, apresentado pela consultora de Desenvolvimento Industrial do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, Saunaray Pereira Barra. A iniciativa busca ampliar a competitividade da indústria brasileira por meio de projetos voltados à eficiência energética.
Segundo a especialista, os custos com energia representam atualmente mais de um terço das despesas de produção da indústria nacional, tornando a redução do consumo energético uma estratégia fundamental para ganho de competitividade.
Na fase piloto, o programa atendeu micro, pequenas e médias indústrias do estado de São Paulo, com apoio técnico do SENAI-SP e suporte financeiro da DesenvolveSP, instituição responsável pela criação de fundo garantidor destinado aos projetos de modernização energética.
A iniciativa conta ainda com apoio da Confederação Nacional da Indústria, da Empresa de Pesquisa Energética e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Segundo Saunaray Pereira Barra, o programa prevê investimento total de R$ 75 milhões para expansão nacional das ações de eficiência energética.
No dia 12 de maio, o PotencializEE iniciou em Belo Horizonte a rodada nacional de apresentações estaduais voltadas à ampliação da atuação do programa em todo o país, priorizando micro, pequenas e médias empresas industriais.
Outro destaque da reunião foi a apresentação realizada por Verônica Winter, representante do Centro Internacional de Negócios da FIEMG, sobre as oportunidades comerciais para a indústria alimentícia a partir do acordo entre Mercosul e União Europeia.
Resultado de 25 anos de negociações, o tratado prevê redução gradual e eliminação de tarifas comerciais, além da aproximação de normas regulatórias entre os 27 países integrantes da União Europeia e os países fundadores do Mercosul.
Segundo Verônica Winter, o acordo tende a trazer ganhos importantes para Minas Gerais, especialmente por meio da redução de incertezas regulatórias, padronização de procedimentos aduaneiros e melhoria do ambiente de negócios para exportadores brasileiros.
Ela destacou que produtos industrializados, como alimentos processados, autopeças, produtos químicos e itens de couro, aparecem entre os segmentos potencialmente mais beneficiados pelo tratado internacional.
Dados apresentados durante a reunião apontam que, entre 2021 e 2025, as exportações brasileiras destinadas à União Europeia cresceram em média 14% ao ano. No mesmo período, as exportações mineiras para o bloco europeu alcançaram aproximadamente US$ 31 bilhões.
O café segue liderando a pauta exportadora mineira para o mercado europeu, representando 59% das exportações do estado destinadas à União Europeia.
O setor brasileiro de alimentos e bebidas também apresentou desempenho expressivo no período analisado, registrando crescimento de 42% nas exportações para os países europeus e superávit comercial de US$ 75,76 bilhões.
Segundo os dados apresentados, Minas Gerais ocupa atualmente posição de destaque nacional nas exportações de alimentos e bebidas destinadas ao bloco europeu, acumulando US$ 19,2 bilhões em vendas externas.
Durante a exposição, também foram detalhadas as modalidades de desgravação tarifária previstas no acordo internacional. Aproximadamente 21% dos códigos de produtos exportados pelo Brasil já eram isentos de tarifas, representando 80% do valor importado pela União Europeia em 2025.
Ao todo, 706 produtos deverão ter redução linear de tarifas, com cronogramas variando entre isenção imediata e prazos de até 10 anos para eliminação completa das barreiras tarifárias.
As conclusões apresentadas indicam que o acordo tende a beneficiar principalmente produtos industrializados e cadeias produtivas já integradas internacionalmente, como os setores de café processado, chocolate e alimentos industrializados.
Por outro lado, os participantes destacaram necessidade de atenção à concorrência internacional em segmentos considerados sensíveis para a indústria nacional, incluindo azeites, vinhos e queijos importados.
Ainda durante a reunião, Ana Correia, diretora executiva da Câmara de Comércio Italiana de Minas Gerais, apresentou a empresa Aromatics, especializada no desenvolvimento de aromas complexos e otimização de perfis sensoriais para a indústria alimentícia.
Ela também convidou os representantes do setor para participarem do evento “Sabores Sem Fronteiras – O poder dos aromas na experiência gastronômica italiana”, programado para ocorrer em 10 de junho na capital mineira.
Foto: Sebastião Jacinto Junior

