A divulgação da mais recente pesquisa Datafolha fortaleceu no Palácio do Planalto a percepção de melhora no cenário eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a disputa presidencial de outubro. O levantamento mostrou ampliação de seis pontos na diferença entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro na simulação de primeiro turno, cenário interpretado por integrantes do governo como sinal de recuperação da competitividade eleitoral do petista.
Nos bastidores do Executivo, auxiliares de Lula avaliam que o resultado reflete tanto o desgaste enfrentado por Flávio Bolsonaro após as revelações envolvendo sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro quanto uma sequência de medidas positivas anunciadas pelo governo federal nas últimas semanas. Entre os fatores apontados por interlocutores do Planalto estão a viagem internacional do presidente, a revogação da chamada taxa das blusinhas e as ações voltadas à redução do preço dos combustíveis.
Segundo integrantes do governo, pesquisas internas e levantamentos reservados já vinham indicando melhora gradual da situação eleitoral de Lula antes mesmo da divulgação do Datafolha. A avaliação predominante é de que a combinação entre agenda econômica positiva e ofensiva de comunicação ajudou a reduzir parte do desgaste acumulado nos últimos meses.
Auxiliares do presidente afirmam que o governo entrou agora em fase de intensificação das campanhas publicitárias relacionadas às ações desenvolvidas ao longo do mandato. A estratégia deverá ser mantida até julho, período anterior ao chamado defeso eleitoral, quando a legislação restringe propagandas institucionais do governo, exceto em casos de utilidade pública.
A ofensiva de comunicação do Planalto está concentrada em três eixos principais. O primeiro envolve a defesa do fim da escala de trabalho seis por um. O segundo é voltado à divulgação do programa Desenrola Brasil dois ponto zero, destinado à renegociação de dívidas. Já o terceiro eixo possui caráter regional, focando obras e investimentos realizados nos estados.
Apesar da melhora identificada nas pesquisas recentes, integrantes do governo reconhecem que os índices de aprovação da gestão federal ainda enfrentam dificuldades. Nos últimos meses, o saldo entre aprovação e desaprovação permaneceu negativo em parte dos levantamentos monitorados pelo Planalto.
Dentro do governo, a leitura predominante é de que a disputa presidencial continuará acirrada e exigirá atuação direcionada para segmentos específicos do eleitorado onde Lula apresenta maiores dificuldades. Nesse contexto, o Planalto lançou recentemente linha de crédito de até R$ 30 bilhões destinada à compra de automóveis por motoristas de aplicativos e taxistas, categorias consideradas mais resistentes ao presidente.
Interlocutores do Executivo admitem existir dificuldades históricas na relação entre o governo e motoristas de aplicativos. Segundo integrantes do Planalto, parte desses trabalhadores rejeita interpretações relacionadas à precarização do trabalho e prefere ser identificada como empreendedora autônoma.
Mesmo com a melhora observada nas pesquisas, o governo avalia que o cenário internacional ainda gera preocupação. A guerra no Oriente Médio e os possíveis impactos econômicos sobre inflação e combustíveis continuam sendo monitorados pelo Palácio do Planalto. Auxiliares presidenciais afirmam que os números recentes trouxeram alívio momentâneo, mas destacam que a equipe política considera prematuro qualquer cenário de tranquilidade eleitoral diante das incertezas econômicas e do ambiente político ainda polarizado no país atualmente.
Foto: Ricardo Stuckert/PR

