O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira, durante entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil, que acompanha diariamente a evolução dos preços dos combustíveis e mantém reuniões frequentes para discutir medidas destinadas a evitar reajustes considerados abusivos. Segundo o presidente, o governo federal trabalha para ampliar a fiscalização sobre postos e distribuidoras em meio aos impactos provocados pela guerra no Oriente Médio sobre o mercado internacional do petróleo.

Durante a entrevista, Lula declarou que o governo está empenhado em impedir aumentos sem justificativa econômica e defendeu atuação mais rigorosa da Polícia Federal e da Agência Nacional do Petróleo. O presidente afirmou que os órgãos de fiscalização devem intensificar operações em todo o país para investigar denúncias relacionadas a reajustes considerados excessivos no preço da gasolina, do diesel e de outros derivados de petróleo.

O mercado internacional de combustíveis continua pressionado pelos reflexos do conflito envolvendo o Irã e outros países do Oriente Médio, região responsável por parcela significativa da produção mundial de petróleo. As tensões geopolíticas têm provocado dificuldades logísticas no transporte marítimo de cargas e elevado a volatilidade internacional dos preços do barril.

Mais cedo, o Ministério do Planejamento e Orçamento informou que o subsídio temporário para a gasolina permanecerá em quarenta e quatro centavos por litro dentro do programa emergencial de compensação criado pelo governo federal na semana passada. A medida deverá gerar custo mensal estimado em aproximadamente um bilhão e duzentos milhões de reais durante pelo menos dois meses.

Além da gasolina, o governo já havia lançado, em março, programa de subsídio para o diesel importado, considerado fundamental para o transporte rodoviário de cargas. Paralelamente, uma força-tarefa nacional passou a atuar na fiscalização de milhares de postos e distribuidoras para conter aumentos considerados abusivos após o agravamento da crise internacional envolvendo países produtores de petróleo.

Outro tema abordado por Lula durante a entrevista foi a exploração das chamadas terras raras e minerais críticos existentes no território brasileiro. O presidente destacou que o Brasil possui uma das maiores reservas mundiais desses elementos utilizados na fabricação de componentes eletrônicos de alta tecnologia, equipamentos industriais e produtos estratégicos para a economia global.

Segundo Lula, apenas cerca de trinta por cento do território nacional foi efetivamente mapeado em relação ao potencial mineral. O presidente afirmou que criou um conselho nacional ligado diretamente à Presidência da República para coordenar políticas relacionadas às terras raras, classificadas pelo governo como tema estratégico de soberania nacional.

Lula também declarou que pretende estimular a industrialização desses minerais dentro do Brasil, evitando que o país apenas exporte matéria-prima sem agregar valor econômico. O presidente afirmou que o governo deseja ampliar investimentos em transformação industrial, tecnologia e desenvolvimento de cadeias produtivas ligadas aos minerais estratégicos.

Durante a entrevista ao programa Sem Censura, o presidente ainda comentou sobre o mercado de apostas esportivas virtuais, conhecidas como bets. Lula afirmou que o futebol profissional brasileiro depende financeiramente do setor, mas defendeu maior controle sobre empresas que atuam no segmento.

Segundo o presidente, o governo federal criou uma secretaria especial no Ministério da Fazenda para fiscalizar as plataformas de apostas e combater empresas consideradas irregulares. Lula declarou ainda que pretende endurecer regras relacionadas à publicidade das bets e afirmou ser favorável ao fechamento de empresas que, segundo ele, não prestam serviços relevantes ao país.

Na avaliação do Palácio do Planalto, a combinação entre subsídios temporários, fiscalização reforçada e monitoramento permanente do mercado internacional poderá ajudar a reduzir impactos sobre consumidores e setores produtivos brasileiros Integrantes da equipe econômica afirmam que o governo continuará acompanhando diariamente o comportamento dos preços praticados por distribuidoras e postos de combustíveis, especialmente em regiões afetadas pelas oscilações provocadas pela crise do petróleo e pelas dificuldades envolvendo exportadores do Oriente Médio

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil


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