O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, afirmou neste sábado que a criação de um código de ética para o STF é “boa e importante”, mas destacou que ainda é necessário discutir a melhor forma de implementação da proposta dentro da Corte.
A declaração foi dada após participação de Barroso em evento promovido pelo grupo Esfera, realizado no Guarujá. Durante conversa com jornalistas, o ex-ministro também afirmou que é preciso separar avaliações individuais sobre integrantes do Supremo do papel institucional exercido pela Corte.
Embora não tenha citado nomes diretamente, as declarações ocorreram em meio à repercussão de reportagens envolvendo o Banco Master e supostas relações da instituição financeira com os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
Segundo Barroso, não há conhecimento de decisões do Supremo que tenham favorecido o Banco Master. “Tem alguma decisão do Supremo favorecendo o Banco Master? Não que eu saiba”, afirmou o ex-presidente da Corte.
Barroso também declarou que não acredita que o funcionamento institucional do STF tenha sido comprometido pelos episódios recentes. Para ele, é necessário evitar generalizações ou conclusões precipitadas enquanto investigações ainda estão em andamento.
“Não aconteceu nada errado em decisões do Supremo nessa matéria ou em qualquer outra”, afirmou.
O ex-ministro deixou o STF em outubro de 2025 e continua participando de debates jurídicos e institucionais em eventos públicos. Durante a entrevista, ele avaliou que existe atualmente uma percepção negativa provocada por fatos recentes, mas defendeu cautela antes de qualquer julgamento definitivo.
Segundo Barroso, a credibilidade das instituições deve ser preservada enquanto os órgãos competentes conduzem as apurações necessárias. O ex-presidente do STF também afirmou que a discussão sobre normas de conduta e transparência dentro do Judiciário pode contribuir para fortalecer a imagem institucional da Suprema Corte perante a sociedade brasileira.
Foto: Antônio Augusto/STF

