Uma nova pesquisa divulgada pela Nexus e encomendada pelo banco BTG Pactual mostrou avanço do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em cenários de segundo turno para a eleição presidencial de 2026. Segundo o levantamento, Lula aparece com quarenta e sete por cento das intenções de voto contra quarenta e três por cento do senador Flávio Bolsonaro. A diferença de quatro pontos colocou o petista numericamente fora da margem de erro no confronto direto.

A pesquisa ouviu dois mil e quarenta e cinco eleitores entre os dias vinte e dois e vinte e quatro de maio. O levantamento possui margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de noventa e cinco por cento. O estudo foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04193/2026.

O resultado reforçou uma tendência identificada em outros levantamentos recentes, como os realizados por Datafolha e Atlas/Bloomberg. As pesquisas passaram a captar impactos políticos da crise envolvendo Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O caso ganhou repercussão após a divulgação de áudios em que o senador pedia recursos para concluir o filme “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A série histórica da pesquisa BTG/Nexus mostra crescimento gradual da vantagem de Lula desde março. Naquele mês, o presidente e Flávio Bolsonaro apareciam empatados com quarenta e seis por cento cada. Em abril, Lula passou numericamente à frente, marcando quarenta e seis por cento contra quarenta e cinco do adversário. Em maio, o petista subiu para quarenta e sete por cento enquanto o senador recuou para quarenta e três.

Os índices de votos brancos, nulos e eleitores sem candidato definido oscilaram entre sete e nove por cento ao longo dos três levantamentos realizados pela Nexus. A pesquisa também testou cenários envolvendo outros nomes da oposição.

Contra o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, Lula apresentou crescimento mais expressivo. O presidente tinha quarenta e seis por cento em março, caiu para quarenta e cinco em abril e alcançou quarenta e nove por cento em maio. Já Zema oscilou entre quarenta e um e trinta e oito por cento no mesmo período.

No cenário contra o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, Lula manteve relativa estabilidade. O petista apareceu com quarenta e seis por cento em março, caiu para quarenta e cinco em abril e voltou a marcar quarenta e seis neste mês. Caiado registrou quarenta e um por cento nos dois primeiros levantamentos e quarenta por cento em maio.

Na disputa de primeiro turno, Lula também manteve estabilidade ao longo da série histórica, permanecendo com quarenta e um por cento das intenções de voto nas três rodadas da pesquisa. Flávio Bolsonaro, por outro lado, apresentou queda gradual. O senador tinha trinta e oito por cento em março, caiu para trinta e seis em abril e chegou a trinta e cinco por cento em maio.

Outros candidatos aparecem distantes dos líderes. Ronaldo Caiado e Romeu Zema oscilaram entre quatro e cinco por cento. Renan Santos registrou crescimento de dois para quatro por cento entre março e abril, mantendo o mesmo percentual em maio.

O levantamento também incluiu pela primeira vez o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa como potencial candidato presidencial. Ele apareceu com três por cento das intenções de voto em um dos cenários testados. Barbosa substituiu o ex-ministro Aldo Rebelo, que vinha sendo incluído nas pesquisas anteriores.

Em outro cenário mais amplo, que incluiu candidatos como Cabo Daciolo e Augusto Cury, Lula manteve quarenta por cento das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro marcou trinta e cinco por cento. Caiado foi o único a apresentar crescimento mais significativo nesse modelo, passando de três para cinco por cento.

A pesquisa também mediu o grau de convicção dos eleitores em relação ao voto. Segundo o levantamento, setenta por cento afirmaram já estar decididos sobre o candidato e disseram não pretender mudar de posição até outubro. Outros vinte e oito por cento admitiram possibilidade de alteração.

Entre os eleitores de Lula, oitenta e um por cento declararam ter voto consolidado. Apenas dezenove por cento disseram que ainda poderiam reconsiderar a escolha. No caso de Flávio Bolsonaro, setenta e um por cento afirmaram estar decididos, enquanto vinte e sete por cento admitiram eventual mudança.

Os índices de fidelidade eleitoral dos demais candidatos foram menores. Renan Santos apareceu com cinquenta e quatro por cento de eleitores convictos. Augusto Cury registrou quarenta e nove por cento de apoio consolidado. Ronaldo Caiado e Romeu Zema tiveram trinta e nove por cento de eleitores decididos, enquanto Joaquim Barbosa apareceu com trinta e sete por cento e Cabo Daciolo com trinta e cinco.

O levantamento reforçou a avaliação de que a disputa presidencial segue fortemente polarizada entre lulismo e bolsonarismo. Mesmo enfrentando desgaste político provocado pelas denúncias relacionadas ao Banco Master, Flávio Bolsonaro continua aparecendo como principal nome da oposição na corrida presidencial. Ao mesmo tempo, Lula mantém vantagem consistente nas simulações de segundo turno, cenário considerado estratégico pelo Palácio do Planalto para consolidar a narrativa de favoritismo na disputa de 2026.

Foto: Ricardo Stuckert / PR


Avatar

administrator

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *