As investigações sobre aplicações bilionárias de recursos previdenciários no Banco Master passaram a atingir institutos de aposentadoria de ao menos três estados e dois municípios brasileiros. A Polícia Federal apura suspeitas envolvendo aportes considerados irregulares em fundos e letras financeiras ligados à instituição controlada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Os valores sob investigação já somam aproximadamente R$ 3,9 bilhões.

Os investigadores analisam indícios de falhas na governança dos fundos previdenciários, possível influência política na aprovação das operações e suspeitas de atuação de intermediários interessados em liberar os investimentos sem observância de critérios técnicos obrigatórios. Também são apurados indícios de pagamento de vantagens indevidas e gestão temerária de recursos destinados à aposentadoria de servidores públicos.

No Rio de Janeiro, a investigação ganhou força após operação da Polícia Federal contra o ex-governador Cláudio Castro. A apuração envolve aportes realizados pelo Rioprevidência em letras financeiras e fundos relacionados ao Banco Master. Segundo os investigadores, as operações movimentaram cerca de R$ 3 bilhões entre 2023 e 2025.

A Polícia Federal afirma ter encontrado mensagens no celular de Daniel Vorcaro indicando que os investimentos dependeriam de alinhamento político com integrantes do governo fluminense. A defesa de Cláudio Castro nega irregularidades e sustenta que todos os contatos com o empresário ocorreram em agendas institucionais.

No Amazonas, a PF investiga aplicações de aproximadamente R$ 390 milhões feitas pela Amazonprev. Ex-diretores da entidade foram alvo de mandados de busca e apreensão. Os investigadores apontam possíveis descumprimentos de normas federais relacionadas aos investimentos previdenciários.

Outra frente da investigação atinge a Amapá Previdência, responsável pela gestão previdenciária do estado. A Polícia Federal suspeita que gestores ignoraram alertas internos antes de aprovar aportes de cerca de R$ 400 milhões em produtos financeiros ligados ao Banco Master.

As investigações também alcançam municípios paulistas. Em Cajamar, na Região Metropolitana de São Paulo, a Polícia Federal apura investimentos superiores a R$ 100 milhões realizados pelo instituto previdenciário local. Já em Santo Antônio da Posse, investigadores analisam suspeitas relacionadas à aplicação de R$ 13 milhões em letras financeiras do banco.

Segundo a PF, as apurações buscam esclarecer se houve pressão política, influência externa ou liberação irregular de investimentos incompatíveis com o perfil conservador exigido para fundos previdenciários públicos brasileiros.

Foto: Polícia Federal


Avatar

administrator