A falta de definição sobre quem representará o campo aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa pelo governo de Minas Gerais em 2026 tem provocado preocupação crescente dentro do PT e entre partidos da base governista. Integrantes da legenda defendem que Lula atue diretamente para destravar as negociações em torno do palanque mineiro, considerado estratégico por lideranças petistas devido ao peso eleitoral do estado, o segundo maior colégio eleitoral do país.
Nos bastidores, dirigentes do PT avaliam que a indefinição prolongada pode comprometer não apenas a campanha presidencial de Lula, mas também candidaturas proporcionais da legenda em Minas Gerais. O estado historicamente possui forte influência nas eleições presidenciais e costuma ser visto como decisivo para o resultado nacional.
O principal nome cogitado inicialmente para disputar o Palácio da Liberdade era o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco, filiado ao PSB. No entanto, o senador tem sinalizado a interlocutores que pretende deixar a vida pública no próximo ano, reduzindo as expectativas de que aceite entrar na disputa estadual.
Diante desse cenário, o PT passou a discutir outras alternativas. Entre os nomes lembrados está o do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, atualmente no PDT, além do empresário Josué Gomes, filho do ex-vice-presidente José Alencar e recém-filiado ao PSB. Josué é visto por parte da cúpula petista como um nome capaz de ampliar alianças e dialogar com setores empresariais.
Apesar disso, uma ala do PT defende candidatura própria em Minas Gerais. Nesse grupo, o nome mais citado é o da ex-prefeita de Contagem Marília Campos. Embora atualmente ela seja pré-candidata ao Senado e evite se apresentar como opção ao governo estadual, dirigentes avaliam que o partido não deveria abrir mão de disputar diretamente o Executivo mineiro caso as alternativas externas não demonstrem viabilidade eleitoral.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, assumiu a articulação política em Minas e intensificou conversas com lideranças locais e possíveis aliados. Nos últimos dias, ele discutiu o cenário estadual com dirigentes do partido e manteve contatos com Josué Gomes. Também está prevista uma rodada de conversas com Alexandre Kalil.
Parlamentares petistas afirmam que Lula precisará participar pessoalmente da definição sobre Minas Gerais. O deputado Rogério Correia declarou que o presidente deverá assumir protagonismo nas negociações para construir a chapa considerada mais competitiva no estado.
Enquanto o PT tenta organizar seu palanque, adversários também enfrentam dificuldades para consolidar candidaturas. Integrantes do partido avaliam que o campo conservador ainda não definiu um nome competitivo para a disputa estadual. O senador Cleitinho Azevedo aparece como pré-candidato do Republicanos, enquanto dirigentes do PL discutem possíveis alianças envolvendo o empresário Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais.
Durante reunião recente da coordenação eleitoral petista, Minas Gerais foi classificada como um dos principais desafios da estratégia nacional de Lula para 2026. Mesmo assim, integrantes da campanha avaliam que o ambiente político atual é mais favorável ao presidente do que em 2022, especialmente devido à consolidação de alianças em diferentes estados brasileiros.
O coordenador do Grupo de Trabalho Eleitoral do PT, deputado Jilmar Tatto, minimizou a crise interna e afirmou que as dificuldades em Minas não atingem apenas o campo governista. Segundo ele, as articulações da oposição também permanecem indefinidas no estado, o que mantém o cenário eleitoral completamente aberto para os próximos meses.
Foto: Ricardo Stuckert / PR

