A desistência definitiva do senador Rodrigo Pacheco de disputar o governo de Minas Gerais em 2026 abriu uma nova etapa das articulações políticas envolvendo o PT no estado. Sem o nome considerado ideal pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para liderar um palanque mineiro, dirigentes petistas passaram a discutir com mais intensidade a possibilidade de lançar uma candidatura própria ao Executivo estadual.
Ao mesmo tempo, parte do partido ainda trabalha para construir alianças com legendas de centro. A principal defensora dessa estratégia é Marília Campos, que busca ampliar o diálogo com outras forças políticas e evitar uma fragmentação excessiva do campo aliado ao governo federal em Minas.
Nos últimos dias, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, esteve em Minas Gerais para uma série de reuniões. Entre os encontros realizados esteve uma conversa com Alexandre Kalil, que vinha sendo apontado como uma alternativa após a retirada de Pacheco da disputa. No entanto, segundo interlocutores, Kalil não demonstrou disposição para assumir o papel de candidato apoiado por Lula.
Diante desse cenário, duas correntes ganharam força dentro do partido. A primeira defende a continuidade das negociações com nomes de outras legendas. Nesse grupo aparece o nome do ex-vereador de Belo Horizonte Gabriel Azevedo, filiado ao MDB. Apesar do interesse de parte da direção petista em aproximá-lo da base governista, sua trajetória de oposição ao PT gera resistência entre lideranças da legenda em Minas.
Aliados de Gabriel também avaliam os riscos e benefícios de uma aproximação com o partido do presidente. Para alguns integrantes do MDB, uma aliança poderia fortalecer uma eventual candidatura estadual. Outros entendem que preservar um projeto político independente pode ser mais vantajoso para futuras disputas, especialmente na eleição municipal de Belo Horizonte em 2028.
Além de Gabriel Azevedo, outros nomes externos ao PT são mencionados nas conversas. Entre eles estão o empresário Josué Gomes e o ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares, ambos filiados ao PSB.
Por outro lado, dirigentes influentes do PT mineiro defendem cada vez mais a apresentação de uma candidatura própria. Entre os nomes lembrados estão Marília Campos, o deputado federal Reginaldo Lopes e a ex-reitora da Universidade Federal de Minas Gerais, Sandra Goulart.
Reginaldo Lopes afirmou que considera importante a construção de uma candidatura petista, mas ressaltou que sua prioridade no momento continua sendo a tramitação da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, da qual é autor.
O debate interno ocorre em meio a um cenário eleitoral ainda indefinido. O PT também enfrenta o desafio de lidar com a lembrança da gestão do ex-governador Fernando Pimentel, frequentemente explorada por adversários políticos. Paralelamente, o campo conservador também busca definição. O PL ainda não decidiu se lançará candidatura própria ou apoiará outro projeto para a sucessão estadual, mantendo abertas diversas possibilidades para a disputa de 2026 em Minas Gerais.
Foto: Ricardo Stuckert / PR

