As redes sociais representam uma ameaça crescente à verdade e à confiança pública, elementos considerados essenciais para o funcionamento das democracias. A avaliação foi feita pelo jornalista norte-americano Thomas L. Friedman, vencedor de três Prêmios Pulitzer e um dos mais respeitados analistas de política internacional da atualidade, durante participação no XIV Fórum de Lisboa, realizado em Portugal.

Colunista do New York Times, Friedman afirmou que o modelo de negócios das plataformas digitais não está voltado para informar os cidadãos, mas para provocar reações e ampliar o engajamento. Segundo ele, esse mecanismo contribui para a disseminação da polarização política e para o enfraquecimento das instituições democráticas.

“O modelo de negócio deles não é te informar, é te provocar”, declarou o jornalista durante aula magna promovida no evento. Para Friedman, a democracia depende da existência de fatos compartilhados e da confiança nas instituições. Sem esses elementos, torna-se mais difícil construir consensos e enfrentar desafios coletivos.

O Fórum de Lisboa reuniu juristas, economistas, acadêmicos e autoridades da América Latina e da Europa para discutir temas como inteligência artificial, big techs, política internacional e o futuro da ciência. O encontro foi promovido pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), pelo Lisbon Public Law e pela Fundação Getulio Vargas.

Ao abordar o avanço da inteligência artificial, Friedman classificou o momento atual como um “segundo Big Bang” da humanidade. Segundo ele, a combinação entre inteligência artificial, computação quântica, fusão energética e novas tecnologias está produzindo uma transformação sem precedentes. O jornalista defendeu que Estados Unidos e China cooperem para criar regras globais e parâmetros éticos para o uso dessas ferramentas.

Na mesma linha, o economista Joel Mokyr, professor da Northwestern University e vencedor do Prêmio Nobel de Ciências Econômicas de 2025, destacou que o progresso econômico depende da união entre inovação tecnológica e instituições confiáveis. Para ele, a confiança pública é indispensável para que o conhecimento científico seja transformado em prosperidade.

Mokyr também alertou para os riscos do populismo e da xenofobia, frequentemente alimentados por desinformação. Segundo o economista, esses fenômenos podem comprometer o desenvolvimento científico e reduzir a capacidade de inovação das sociedades.

O tema também foi abordado por Luís Neves, ministro da Administração Interna de Portugal. Ele apontou a disseminação de notícias falsas, os crimes de ódio e o populismo como algumas das principais ameaças às democracias contemporâneas. Neves elogiou iniciativas brasileiras de combate à desinformação e defendeu maior equilíbrio entre a proteção da privacidade e a investigação de crimes cibernéticos.

Para os participantes do fórum, o fortalecimento das instituições democráticas, aliado à responsabilidade no uso das novas tecnologias, será decisivo para enfrentar os desafios impostos pela transformação digital e pela crescente circulação de informações em escala global.

Foto: Divulgação


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