Uma pesquisa brasileira com a terapia celular CAR-T Cell apresentou resultados considerados promissores no tratamento de pacientes com linfoma não Hodgkin e leucemia que não responderam aos tratamentos convencionais. O estudo, conduzido pelo Hemocentro de Ribeirão Preto em parceria com o Instituto Butantan e o Ministério da Saúde, registrou resposta positiva em 87,5% dos pacientes com linfoma não Hodgkin que já haviam sido submetidos, sem sucesso, a procedimentos como quimioterapia, radioterapia e transplante.
Os dados preliminares foram apresentados nesta quarta-feira pelo Ministério da Saúde. O governo federal destinou R$ 100 milhões para o desenvolvimento da pesquisa, considerada uma das mais avançadas iniciativas nacionais na área de terapias celulares para tratamento do câncer.
Durante a apresentação dos resultados, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que os números obtidos até o momento representam um importante perspectiva para pacientes que possuem poucas alternativas terapêuticas. Segundo ele, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acompanha o desenvolvimento do estudo e poderá acelerar os procedimentos de avaliação regulatória por se tratar de uma tecnologia inovadora.
Apesar dos resultados positivos, o ministro ressaltou que a pesquisa ainda está em andamento e seguirá os protocolos internacionais exigidos para esse tipo de tratamento. Novos pacientes continuarão sendo recrutados para o estudo, enquanto os participantes já tratados serão acompanhados por pelo menos um ano para análise dos indicadores de segurança e eficácia.
Como o último paciente foi incluído na pesquisa em maio deste ano, a expectativa é que a conclusão das avaliações ocorra em aproximadamente um ano e meio. Somente após essa etapa será possível avançar para a análise definitiva que poderá resultar no registro do tratamento junto aos órgãos reguladores.
Atualmente, terapias semelhantes estão disponíveis apenas na rede privada e possuem custo elevado, tornando o acesso restrito a uma parcela reduzida da população. A expectativa do governo é que a produção nacional permita a futura incorporação da tecnologia ao Sistema Único de Saúde, garantindo atendimento gratuito aos pacientes que necessitarem do procedimento.
A estrutura instalada em Ribeirão Preto é apontada como a maior fábrica de terapias celulares da América Latina e do chamado Sul Global. A unidade possui capacidade para produzir até mil tratamentos por ano, o que poderá contribuir para reduzir custos e ampliar significativamente o acesso à tecnologia.
O estudo também contempla crianças e adolescentes diagnosticados com leucemia linfoide aguda, considerada o tipo de câncer mais frequente na infância. Os participantes recrutados para essa etapa possuem entre três e 25 anos de idade. Embora a maioria dos pacientes pediátricos responda adequadamente à quimioterapia convencional, existe um grupo que não apresenta resultados satisfatórios, tornando a terapia celular uma alternativa de grande relevância.
Para os casos de linfoma, o recrutamento está concentrado em pacientes adultos. Os pesquisadores destacam que a menor incidência da doença em crianças justifica a estratégia adotada para essa fase do estudo.
Além dos investimentos na terapia CAR-T Cell, o governo federal anunciou um aporte de R$ 180 milhões para a segunda etapa do programa Genomas Brasil. Criado em 2020, o projeto busca ampliar o conhecimento sobre a diversidade genética da população brasileira e incentivar o desenvolvimento de novos medicamentos e tratamentos.
A nova fase contará com a participação de instituições adicionais, incluindo a Universidade de Brasília, que sediará o primeiro laboratório do programa na região Centro-Oeste. Hospitais do SUS também passarão a integrar a iniciativa.
Padilha destacou que a diversidade genética existente no Brasil representa uma vantagem estratégica para pesquisas científicas e para o desenvolvimento de terapias inovadoras. Segundo ele, a recente legislação voltada à pesquisa clínica reduziu a burocracia e acelerou a aprovação de estudos, ampliando a participação brasileira no cenário internacional.
O ministro também ressaltou a expansão do mapeamento genético de pacientes atendidos pelo SUS. A tecnologia permite identificar doenças raras em crianças de forma muito mais rápida, possibilitando o início precoce dos tratamentos e aumentando as chances de melhor qualidade de vida para os pacientes e suas famílias.
Foto: MS/Divulgação

