A situação dos oceanos do planeta se agravou nos últimos anos e exige respostas urgentes e coordenadas da comunidade internacional. O alerta está presente no terceiro ciclo da Avaliação Mundial dos Oceanos (WOA-3), divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU), que reúne análises de mais de 550 cientistas e especialistas de 86 países. O estudo é considerado a principal avaliação multidisciplinar sobre a saúde dos oceanos e utilizou dados coletados principalmente entre 2018 e 2023.
Segundo o relatório, diversos indicadores ambientais apresentaram piora significativa desde a edição anterior, publicada em 2022. Entre os problemas destacados estão o aumento da temperatura dos oceanos, a elevação do nível do mar, a perda acelerada de gelo polar, a redução da biodiversidade marinha, o avanço da poluição e as pressões crescentes sobre a pesca mundial.
Os pesquisadores afirmam que o oceano continua desempenhando papel fundamental na regulação climática global, absorvendo grande parte do calor gerado pelo aquecimento do planeta. No entanto, os sinais de esgotamento dessa capacidade estão cada vez mais evidentes.
Um dos autores brasileiros do relatório, o professor Ronaldo Christofoletti, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), destacou que os impactos das mudanças climáticas sobre os ambientes marinhos estão se tornando mais frequentes e intensos. Segundo ele, fenômenos que antes eram considerados excepcionais agora passam a ocorrer de forma recorrente.
O documento aponta que espécies marinhas estão migrando para águas mais frias devido ao aumento das temperaturas. As ondas de calor marinhas também se tornaram mais frequentes, afetando ecossistemas inteiros e causando prejuízos à atividade pesqueira. Comunidades costeiras dependentes dos recursos do mar estão entre as mais vulneráveis a essas transformações.
Para o Brasil, os especialistas identificam riscos relacionados à elevação do nível do mar, ao aumento da erosão costeira, à pressão sobre os estoques pesqueiros e à ocorrência de eventos climáticos extremos associados ao Atlântico tropical.
O relatório mostra ainda que a taxa média de elevação global do nível do mar aumentou significativamente. Entre 2013 e 2023, a elevação média foi de 4,3 milímetros por ano, superando a taxa observada no período anterior analisado pela ONU.
Outro ponto de preocupação é o acelerado degelo nas regiões polares. Os especialistas registraram níveis recordes de perda de gelo entre 2022 e 2025. Essas alterações afetam diretamente a circulação oceânica, os padrões climáticos globais e a biodiversidade.
A poluição plástica também aparece como uma das principais ameaças aos oceanos. O número de espécies afetadas por resíduos plásticos aumentou de forma expressiva nos últimos anos, ultrapassando quatro mil espécies. Segundo os pesquisadores, o problema deixou de ser apenas uma questão estética e passou a representar risco direto para a biodiversidade, para a cadeia alimentar e para a saúde ambiental.
No Brasil, a poluição marinha está associada principalmente à deficiência de saneamento, ao descarte inadequado de resíduos e à contaminação de rios e áreas costeiras. Além disso, o relatório aponta que a sustentabilidade dos estoques pesqueiros continua em queda, reforçando a necessidade de políticas globais voltadas à conservação dos oceanos e ao uso responsável dos recursos marinhos.
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

