O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu nesta terça-feira (10) o julgamento que decidirá sobre a validade da divulgação de uma pesquisa de intenção de voto para presidente da República realizada pelo instituto AtlasIntel. A interrupção ocorreu após pedido de vista da ministra Estela Aranha, que solicitou mais tempo para analisar o caso. Até o momento, o placar está em 1 a 0 pela manutenção da decisão que suspendeu a divulgação do levantamento.

A controvérsia envolve uma pesquisa divulgada em 19 de maio que apontou queda nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro após a repercussão de conversas mantidas com o banqueiro Daniel Vorcaro, personagem central das investigações relacionadas ao Banco Master.

Na segunda-feira (9), o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, concedeu decisão liminar suspendendo a divulgação do levantamento. O magistrado atendeu a pedido apresentado pelo Partido Liberal (PL), que alegou que a metodologia utilizada pela pesquisa teria induzido respostas dos entrevistados ao abordar fatos relacionados ao caso Master.

Segundo a ação apresentada pelo partido, os entrevistados foram expostos a perguntas sobre a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. O PL também questionou a utilização de material audiovisual referente ao episódio envolvendo o pedido de recursos para financiar o filme “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Com a decisão individual de Nunes Marques, a pesquisa ficou impedida de permanecer publicada nos canais oficiais da empresa, bem como de ser republicada ou impulsionada em plataformas digitais até nova deliberação da Corte.

Ao apresentar seu voto no plenário, o presidente do TSE afirmou que existem elementos suficientes para indicar possível comprometimento da neutralidade metodológica do questionário aplicado aos eleitores. Segundo ele, a sequência de perguntas utilizada pelo instituto pode ter ultrapassado os limites da simples aferição de opinião pública, incorporando estímulos capazes de influenciar as respostas dos entrevistados.

A defesa da AtlasIntel contestou essa interpretação. O advogado Gualter Rafael Maciel Bezerra argumentou que o partido não apontou violação objetiva das regras eleitorais para realização de pesquisas. Segundo ele, a representação se baseia apenas na discordância em relação à metodologia utilizada para abordar um fato político amplamente divulgado.

Representando o PL, a advogada Maria Claudia Bucchianeri sustentou que a discussão não envolve interesses partidários, mas a necessidade de garantir transparência e integridade às pesquisas eleitorais. Ela afirmou que o instituto não apresentou integralmente o conteúdo exibido aos entrevistados, o que dificultaria a fiscalização da metodologia empregada.

Durante o julgamento, o ministro Dias Toffoli manifestou preocupação com os limites da utilização de vídeos e áudios em levantamentos eleitorais. Segundo ele, a decisão do TSE poderá estabelecer parâmetros importantes para as eleições presidenciais de outubro de 2026.

Para o magistrado, a Corte terá de definir até que ponto pesquisas podem utilizar conteúdos audiovisuais sem comprometer a neutralidade das perguntas. Com o pedido de vista da ministra Estela Aranha, o julgamento foi interrompido e ainda não há data definida para sua retomada.

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil


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