O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, registrou alta de 0,58% em maio de 2026, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou ligeiramente acima das expectativas do mercado financeiro, que projetavam avanço de 0,53% no mês. No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação alcançou 4,72%, também acima da previsão de 4,66%.
O principal fator de pressão sobre os preços foi o grupo de alimentos e bebidas, que apresentou alta de 1,33% e respondeu por cerca de metade da inflação registrada no período. O impacto desse grupo foi de 0,29 ponto percentual no índice geral. Em seguida apareceram os grupos habitação, com avanço de 1,22% e impacto de 0,18 ponto percentual, e saúde e cuidados pessoais, que registraram alta de 0,90% e impacto de 0,12 ponto percentual.
Entre os itens que mais contribuíram para a alta do IPCA, a energia elétrica residencial teve destaque. O subitem apresentou elevação de 3,67%, sendo responsável sozinho por impacto de 0,15 ponto percentual no resultado do mês. O aumento foi influenciado pela adoção da bandeira tarifária amarela e por reajustes autorizados em diversas capitais brasileiras.
Na alimentação dentro de casa, os maiores aumentos foram observados na batata-inglesa, que subiu 44,69%, no tomate, com alta de 20,62%, na cebola, que avançou 16,80%, e nas carnes, que registraram elevação de 1,39%. Segundo o IBGE, a menor oferta desses produtos e o aumento dos custos de transporte contribuíram para a pressão sobre os preços. Em contrapartida, alguns alimentos apresentaram redução, como o café moído, que caiu 2,38%, e as frutas, com recuo de 0,70%.
No grupo habitação, além da bandeira tarifária amarela, reajustes regionais ajudaram a elevar os custos da energia elétrica. As maiores altas ocorreram em Campo Grande, Fortaleza, Salvador, Recife, Aracaju e Belo Horizonte, refletindo revisões tarifárias autorizadas pelas distribuidoras.
Já no grupo saúde e cuidados pessoais, os principais aumentos foram observados nos artigos de higiene pessoal, que avançaram 1,95%. O destaque ficou para os perfumes, com alta de 4,42%. Os planos de saúde também registraram aumento de 0,50% no período.
O único grupo que apresentou queda em maio foi o de transportes, que recuou 0,46%. O resultado foi influenciado principalmente pela redução dos preços dos combustíveis. O etanol caiu 6,20%, o óleo diesel recuou 2,34% e a gasolina teve redução de 1,46%, sendo o item que mais contribuiu negativamente para o índice geral. Em sentido contrário, o gás veicular apresentou alta de 5,81%.
Entre as capitais pesquisadas pelo IBGE, as maiores variações foram registradas em Aracaju e Campo Grande, ambas com inflação de 1,31%, influenciadas principalmente pelos aumentos da energia elétrica e dos alimentos. Curitiba apresentou o menor resultado do país, com alta de 0,29%, favorecida pela redução dos preços da gasolina e das taxas relacionadas ao emplacamento e licenciamento de veículos.
Os dados mostram que, apesar do alívio proporcionado pela queda dos combustíveis, a inflação continua pressionada principalmente pelos custos da alimentação, da energia elétrica
e dos serviços ligados à saúde, fatores que seguem pesando no orçamento das famílias brasileiras.
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

