O membro do Conselho do Banco Central Europeu, Joachim Nagel, afirmou nesta segunda-feira que uma eventual reabertura rápida do Estreito de Ormuz não será suficiente para produzir um alívio imediato nas pressões inflacionárias provocadas pela recente crise energética internacional. Segundo ele, mesmo com a retomada da navegação no importante rota marítima do Oriente Médio, o mercado de petróleo precisará de vários meses para recuperar plenamente os níveis de abastecimento observados antes do conflito.

A declaração ocorre em um momento de forte preocupação das autoridades monetárias europeias com os impactos da guerra envolvendo o Irã sobre os preços da energia e, consequentemente, sobre a inflação na zona do euro. Nagel ressaltou que os efeitos da interrupção do fornecimento de petróleo continuam sendo sentidos pelas economias europeias e que a normalização da oferta será gradual.

O dirigente também reafirmou que todas as alternativas permanecem sobre a mesa para a próxima reunião de política monetária do Banco Central Europeu, marcada para julho. Segundo ele, tanto a manutenção quanto uma nova elevação das taxas de juros continuam sendo possibilidades consideradas pela instituição diante do cenário econômico atual.

Na semana passada, o BCE promoveu uma alta dos juros pela primeira vez em quase três anos, numa tentativa de conter a aceleração inflacionária antes que os custos mais elevados da energia se espalhem de forma mais ampla pela economia do bloco europeu.

Nagel alertou ainda para o impacto futuro do encerramento de medidas governamentais criadas para reduzir os preços da energia. Entre elas estão subsídios e descontos concedidos aos consumidores, como a redução temporária dos preços dos combustíveis na Alemanha. Segundo o dirigente, esses mecanismos ajudaram a conter parte da inflação nos últimos meses, mas sua retirada poderá provocar uma nova pressão sobre os índices de preços na zona do euro

Foto: Britta Pedersen/Pool

Fonte: Reuters


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