O Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, conhecido como Hospital do Fundão, no Rio de Janeiro, inaugurou neste sábado a primeira Unidade de Terapia Intensiva Inteligente do Sistema Único de Saúde. A iniciativa representa um novo passo na incorporação de tecnologias digitais ao atendimento hospitalar público e faz parte da estratégia do Ministério da Saúde para ampliar a utilização de inteligência artificial, conectividade e medicina de precisão na rede pública brasileira.

As chamadas UTIs Inteligentes são equipadas com sistemas capazes de integrar informações clínicas em tempo real, permitindo o cruzamento automático de dados sobre cada paciente. Os equipamentos monitoram continuamente sinais vitais, identificam alterações relevantes e utilizam algoritmos para apontar riscos de agravamento do quadro clínico, emitindo alertas que auxiliam as equipes médicas na tomada de decisões e na definição das prioridades de atendimento.

Outro diferencial da estrutura é a integração com ambulâncias equipadas com tecnologia 5G. Esse recurso permite que dados clínicos coletados durante o transporte sejam transmitidos imediatamente para a equipe hospitalar, possibilitando que médicos e profissionais da unidade iniciem a avaliação antes mesmo da chegada do paciente ao hospital, reduzindo o tempo necessário para o início do tratamento.

A cerimônia de inauguração contou com a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que destacou a importância da inteligência artificial para ampliar a eficiência do atendimento prestado pelo SUS. Segundo o ministro, os sistemas conseguem identificar precocemente sinais de piora ou de melhora clínica, permitindo que mudanças na medicação ou na conduta médica sejam adotadas de forma mais rápida, aumentando as possibilidades de recuperação dos pacientes internados.

Padilha ressaltou ainda que a utilização dessas tecnologias pode reduzir o tempo médio de permanência dos pacientes nas unidades de terapia intensiva. Com altas hospitalares mais rápidas, ocorre maior rotatividade dos leitos, contribuindo para diminuir as filas de espera por vagas em UTIs e melhorando a capacidade de resposta do sistema público de saúde em situações de emergência.

De acordo com o Ministério da Saúde, tecnologias baseadas em inteligência artificial e análise de grandes volumes de dados poderão reduzir em até cinco vezes o tempo de espera por atendimentos de emergência. A unidade inaugurada no Hospital Universitário da Universidade Federal do Rio de Janeiro integra a Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes e Medicina de Alta Precisão do SUS, lançada pelo governo federal em novembro do ano passado.

O projeto prevê a implantação de quatorze UTIs Inteligentes em hospitais distribuídos por diversas regiões do país, totalizando duzentos e oitenta leitos especializados. Entre as instituições contempladas estão o Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, o Hospital Federal de Bonsucesso, o Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais, o Hospital Universitário de Brasília, o Hospital Geral Roberto Santos, o Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira, o Hospital Geral de Fortaleza, o Hospital Getúlio Vargas, o Hospital Beneficente Portuguesa de Belém, o Hospital Universitário Evangélico Mackenzie, o Hospital Nossa Senhora da Conceição, o Hospital Regional de Dourados e o Hospital Delphina Rinaldi Abdel Aziz, em Manaus.

Os próximos estados contemplados com a implantação das novas unidades serão Amazonas, Distrito Federal, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco e Rio Grande do Sul. Na etapa inicial, cada hospital receberá dez leitos equipados com os novos sistemas tecnológicos.

Além das UTIs Inteligentes, a rede nacional prevê a expansão da cirurgia robótica, da medicina de precisão e de ferramentas de inteligência artificial destinadas ao diagnóstico, ao planejamento terapêutico e à melhoria da eficiência dos serviços prestados pelo SUS.

Dentro desse programa, o Ministério da Saúde também destina recursos para implantação do Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente, que funcionará no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. O novo complexo deverá atender aproximadamente vinte mil pacientes por ano, contar com oitocentos leitos e oferecer atendimento em áreas como neurologia, neurocirurgia, cardiologia, terapia intensiva e outras especialidades médicas. O início das atividades está previsto para 2027.

Durante a visita ao Hospital Universitário da UFRJ, também foi inaugurado o primeiro acelerador linear da instituição, equipamento destinado à realização de radioterapia com maior precisão e menor tempo de tratamento. Segundo especialistas, a tecnologia permite preservar melhor os tecidos saudáveis ao redor dos tumores e ampliar significativamente a capacidade diária de atendimento, passando de cerca de vinte para quarenta pacientes por dia.

A física médica Bruna Lamis explicou que o novo equipamento representa um importante avanço para o tratamento oncológico, oferecendo maior precisão na aplicação da radioterapia e reduzindo o tempo necessário para cada procedimento. O Ministério da Saúde informou que pretende entregar setenta aceleradores lineares ao SUS ainda neste ano, ampliando o acesso da população ao tratamento do câncer. Para o reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Roberto Medronho, os investimentos permitirão que o hospital universitário recupere seu protagonismo histórico na pesquisa, na inovação tecnológica e na assistência de alta complexidade oferecida pelo sistema público de saúde brasileiro.

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil


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