Mais de 10 mil professores foram selecionados em editais públicos que utilizaram notas da primeira edição da Prova Nacional Docente (PND), segundo balanço do Ministério da Educação (MEC). Aplicado pela primeira vez em 2025, o exame foi criado para apoiar estados e municípios na seleção de profissionais para suas redes e ampliar o ingresso de docentes no ensino público.
A PND é conhecida como Enem dos Professores ou CNU dos Professores, mas não substitui os processos seletivos locais. Cabe a cada secretaria de Educação aderir à iniciativa, publicar edital, definir como utilizar a nota e receber as inscrições dos interessados. Por isso, participar da prova, isoladamente, não garante contratação ou vaga efetiva no magistério.
Na edição inaugural, aderiram 1.508 redes municipais e 22 estaduais. Mais de 1,08 milhão de pessoas se inscreveram para realizar o exame, aplicado em outubro do ano passado. O comparecimento foi de aproximadamente 70%: 760.118 candidatos fizeram a avaliação. Segundo o MEC, 65% dos participantes efetivos, cerca de 492 mil pessoas, alcançaram o nível de proficiência exigido.
Esse contingente supera a estimativa apresentada pela pasta para a demanda anual de novos docentes no país, calculada em aproximadamente 118 mil profissionais. A comparação, no entanto, não significa que todos os candidatos proficientes tenham sido contratados. O resultado da PND é uma das informações que as redes podem considerar, conforme as regras de cada seleção.
O MEC informou que aproximadamente 220 mil participantes da prova de 2025 se inscreveram em editais estaduais e municipais naquele ano. O número representa 28,9% dos candidatos que compareceram ao exame. Aos interessados em usar a pontuação, o ministério recomenda acompanhar os editais das redes que adotaram a PND e verificar seus prazos e critérios específicos.
A segunda edição foi realizada no domingo, 20 de setembro, em 806 cidades. O exame deste ano recebeu 625,9 mil inscrições e avaliou conhecimentos ligados a 21 áreas de licenciatura. A adesão de entes federativos chegou a 2.031, incluindo 96% das capitais e 85% dos estados, de acordo com o MEC.
A ampliação da participação das redes pode oferecer mais oportunidades de inscrição aos candidatos, mas cada governo continua responsável por organizar sua própria seleção. Estudantes concluintes de licenciatura, profissionais já formados e outros integrantes da área de educação interessados em disputar vagas no magistério público estão entre os públicos da avaliação.
Realizada anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a PND utiliza a matriz da avaliação teórica do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) das Licenciaturas. A prova reúne 30 questões objetivas de formação geral docente, uma questão discursiva dessa mesma área e outras 50 questões objetivas do componente específico escolhido pelo candidato.
O exame integra o eixo de valorização do programa federal Mais Professores para o Brasil. Seu objetivo é oferecer às redes uma referência comum sobre conhecimentos e formação de candidatos, respeitando a autonomia de estados e municípios para estabelecer as condições de ingresso. A PND também não constitui certificação profissional: sua utilidade para obter uma vaga depende da participação em um edital que aceite o resultado.
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

