O impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), divide aliados do senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência. Embora a proposta seja uma bandeira da campanha, integrantes de seu entorno divergem sobre a estratégia caso ele vença a eleição.
Uma ala, que reúne interlocutores com acesso ao Judiciário, defende uma tentativa de diálogo antes de avançar com o afastamento. A intenção seria negociar recuos do ministro para construir uma alternativa à ofensiva contra sua permanência no Supremo.
Entre as medidas desejadas por esse grupo está o abrandamento das penas impostas aos condenados pela tentativa de golpe, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Os aliados, entretanto, não explicam como essa revisão poderia ocorrer no STF, considerando que Bolsonaro foi condenado no ano passado, esgotou os recursos e cumpre prisão domiciliar.
Na semana passada, a defesa do ex-presidente apresentou ao ministro Kassio Nunes Marques um pedido de revisão criminal da condenação. Os advogados também solicitaram a soltura de Bolsonaro enquanto o mérito da ação não fosse analisado.
Outra ala considera improvável abandonar a tentativa de retirar Moraes do tribunal. Nesse grupo está o senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio. A posição foi transmitida a ministros do Supremo, entre eles Gilmar Mendes e Luiz Fux, com quem Marinho se reuniu no último mês.
A avaliação do coordenador é que a eleição desta semana poderá formar uma maioria alinhada à direita no Senado. Sua expectativa é que essa composição favoreça a escolha de um aliado de Flávio para a presidência da Casa.
Nesse cenário, Marinho acredita que o presidente do Congresso colocaria o impeachment de Moraes em votação se Flávio fosse eleito presidente da República. O cálculo depende tanto do resultado da disputa presidencial quanto da composição do Senado e da eleição para o comando da Casa, ainda tratadas como expectativas.
Foto: Alejandro Zambrana/STF

