O ministro da Defesa, o general do Exército Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, foi apontado como um “golpista” pelo candidato à Presidência Ciro Gomes (PDT), durante entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, nesta segunda-feira (15/8).

O pedetista foi questionado sobre uma fala dada a um telejornal da GloboNews em que afirma que os comandantes centrais das Forças Armadas não tem caráter “golpista” e que não apoiam Bolsonaro em “delírios golpistas”. “De 16 dos comandos militares, doze tem posições legalistas, firmes, e quatro tem posições dúbias. Mas nenhum é golpista”, reafirmou.

No entanto, sobre o ministro da Defesa, Ciro foi enfático. “É golpista medularmente e, pior, uma tragédia, um desastre completo”, definiu o candidato. A palavra medularmente, usada pelo pedetista, é sinônimo de essencialmente.

Se eleito, Ciro afirma que proibirá militares da ativa de ocuparem cargos políticos. “Três mil e oitocentos militares estão dobrando salários hoje ocupando cargos políticos. Um símbolo trágico disso era o Pazuello (ex-ministro da Saúde), um general da ativa, completamente incompetente, a corrupção correndo solta em vários lugares, e agora um politiqueiro”, declarou.

O pedetista ainda afirmou que o ex-ministro da Saúde “descumpriu os regulamentos militares fazendo comício com o presidente”. No entanto, Ciro defendeu o papel das Forças Armadas. “Os militares precisam ser respeitados. Eles são uma força absolutamente essencial na sustentação de um projeto nacional de desenvolvimento”, opina.

Ciro é o segundo entrevistado de uma série de sabatinas promovida pelo programa Roda Viva, da TV Cultura, com os quatro pré-candidatos com maior intenção de votos registrados pela pesquisa Datafolha de 28 de julho. Simone Tebet (MDB) foi a primeira a enfrentar a sabatina, em 8 de agosto.

‘Enganação geral’

O presidenciável falou sobre a polarização que envolve as eleições deste ano e afirmou que o brasileiro votou em Bolsonaro em 2018 por uma mágoa gerada pelos escândalos de corrupção protagonizados pelo PT.

Segundo Ciro, o atual Chefe do Executivo não apresentou, na eleição passada, proposta alguma que o levasse ao comando do país.

“70% do eleitorado dos centros mais dinâmicos da vida brasileira votaram no Bolsonaro em 2018. Foi por uma obra? Não tinha essa obra. Foi por uma proposta generosa? Não tinha essa proposta. Então qual foi a razão? É muito simples, o povo votou magoado por conta da mais severa crise econômica da história, que é essa que está aí e foi produzida pelo PT, mais o escândalo generalizado de corrupção”, argumentou o candidato.

Ciro ainda questionou se é razoável que o brasileiro coloque Bolsonaro novamente no poder, já que existe uma “frustração diante da enganação geral” que o presidente representa.

“Será que é razoável diante da corrupção orgânica que Bolsonaro representa, da falta de educação, da antessala do fascismo que o Bolsonaro representa, a solução para o Brasil seja voltar ao sistema que deu causa a ele? Eu, francamente, acho que o Brasil não aguenta mais isso”, afirmou.