O Brasil voltou ao mapa da Fome, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), nos últimos anos. Três em cada dez brasileiros enfrentam algum tipo de insegurança alimentar. E 4 milhões dessas pessoas que passam fome estão em Minas Gerais. O candidato ao Governo de Minas, Alexandre Kalil (PSD), visitou a cidade de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, na manhã desta quarta-feira (31/08), e embora estivesse numa das regiões mais desenvolvidas do Estado, fez questão de visitar um projeto de cozinha comunitária, que alimenta famílias que não conseguem se manter.
“Estamos aqui no Brasil de verdade, o Brasil que existe, o Brasil em que 10 milhões de crianças vão dormir com fome, 30 milhões de brasileiros vão dormir com fome. Existe um Brasil de verdade que está clamando por socorro, e esse Brasil é invisível para o governo federal e para o governo estadual. O resto é mentira. Essa é a Minas Gerais que está no trilho?”, questionou.
Kalil conheceu a cozinha comunitária “SOS Dom Almir”, que distribui diariamente 1.200 marmitas para pessoas carentes. O trabalho é feito por voluntários e as refeições são preparadas a partir de alimentos doados. Não há nenhum tipo de assistência governamental.
A coordenadora do projeto, Eliana dos Santos, conta que a iniciativa começou durante a pandemia, quando o número de famílias em dificuldades aumentou, e que agora muitas pessoas contam com a marmita distribuída. A alta no preço dos alimentos, no entanto, dificulta muito.
“Todos os dias a gente faz o almoço de hoje pensando no de amanhã”, explica. “A fome no Brasil está se alastrando. Tem criança que nasceu na pandemia e que até hoje nunca comeu uma fruta. Tem bebê tomando água com açúcar por causa do preço alto do leite”, complementa Eliana.
Assim como a cozinha no bairro Dom Almir, o projeto mantém outras seis unidades somente na cidade de Uberlândia.
Orçamento
Alexandre Kalil disse que, no Governo de Minas, irá repetir a experiência que teve à frente da Prefeitura de Belo Horizonte, com recursos assegurados no orçamento para garantir a assistência que as famílias mais carentes necessitam.
“O que vamos fazer é o que fizemos em Belo Horizonte. Distribuimos durante a pandemia 15 milhões de refeições, foi a Prefeitura que fez. Então, temos que colocar esse pessoal no orçamento, saber que Uberlândia não é diferente de Belo Horizonte, não é diferente do Vale do Jequitinhonha, do Norte, do Mucuri e do Sul de Minas. Não estou aqui para falar que eu vou fazer, que em 2023 nós vamos começar. Eu sei fazer, eu pus esse povo no orçamento”.
O ex-prefeito de Belo Horizonte defendeu que as ações governamentais sejam para todos, e que só assim será possível criar um ciclo de crescimento econômico e desenvolvimento social.
“O agronegócio precisa de infraestrutura. A iniciativa privada precisa ser incentivada, e é de lá que vamos tirar o imposto para colocar aqui. Eles têm que ganhar muito dinheiro. O que não pode continuar acontecendo é ter fila no Brasil para a compra de jatos, enquanto esse povo não tem nem arroz e feijão para comer. Temos que olhar esse povo com carinho e olhar também para o agronegócio, com planejamento”, defendeu.
Guerra da Ucrânia
As ações de Assistência Social do Governo de Minas pioraram muito nos últimos anos. Os recursos anunciados pelo governador Romeu Zema (NOVO) para este ano de 2022 garantem um repasse de R$ 2,50 por família a cada mês. E os problemas não acontecem somente nesta área.
“Escutei numa entrevista do governador que a causa de faltar remédio na Farmácia de Minas é a guerra da Ucrânia. E está faltando, inclusive, soro fisiológico. Para quem não sabe, soro é água, açúcar e sal. Então vamos falar sério. O que está certo é que Minas Gerais está quebrada e está liquidada, e não fizeram nada. Vamos fazer o que fizemos em Belo Horizonte, colocar botina e conhecer a pobreza, saber que Uberlândia não é lugar só dos grandes agricultores. Uberlândia também tem gente que precisa ser cuidada”.
Kalil lembrou que, apesar da propaganda oficial dizer que Minas está no trilho, a dívida com as compras do dia, do governo de Minas, cresceu de R$ 28 bilhões para R$ 48 bilhões, durante os três anos e meio da administração de Romeu Zema.

