O candidato a vice-governador de Minas Gerais, deputado André Quintão, do PT, destacou que o retorno de Lula à presidência da República e a eleição de Alexandre Kalil (PSD) ao Governo mineiro representarão um novo tempo, com um olhar para quem mais precisa. Em entrevista ao Portal Uai, nesta sexta-feira (2/9), Quintão destacou que o objetivo é implantar uma série de ações que levem ao desenvolvimento social e à redução da desigualdade.
“A questão social é a prioridade. E numa visão mais ampla. A questão social não é simplesmente a questão da transferência de renda nacional.” Ele também fez críticas ao atual governador Romeu Zema e a seu partido, o Novo, aos quais atribuiu falta de sensibilidade social e apontou graves falhas da presente gestão.
“O nosso projeto, na verdade, é um projeto de reconstrução, recuperação econômica, social, cultural, ambiental do país e Minas Gerais vai contribuir muito. Minas Gerais não pode perder a oportunidade de ter um presidente da República e um governador caminhando juntos para cuidar das pessoas mais pobres”, declarou, apontando a importância do Estado para a eleição e a política brasileira. “Minas Gerais está no centro das atenções da campanha do presidente Lula.”
Ao explicar a aliança entre PT e PSD, Quintão disse que o Brasil vive um momento em que é preciso colocar os interesses da democracia e do povo acima dos interesses partidários ou eleitorais próprios de cada nome. “Havia a necessidade de uma composição política em Minas Gerais, com três pilares. O primeiro deles é uma avaliação comum de que o governo, um governo privatista, é omisso na questão social.”, apontou.
Em seguida, destacou a necessidade de fortalecer o palanque do presidente Lula “com alguém que pudesse representar esse projeto de transformação em Minas”. E, finalmente, avalia que o desempenho de Alexandre Kalil frente à Prefeitura de Belo Horizonte foi extremamente positivo. “Kalil investiu na questão social? Muito. Ele foi muito corajoso na pandemia. Ele cuidou de vidas humanas e realizou obras importantes, principalmente para as populações mais pobres.”
Quintão, que compõe a chapa com Kalil, se disse feliz com o resultado da parceria e de poder contribuir, após exercer cinco mandatos na Assembleia Legislativa. “Eu não poderia me furtar agora a contribuir para a gente colocar um outro governo, um governo mais social e um governo que pense as regiões de Minas Gerais”.
Críticas a Zema
Sobre a administração do governador Zema, Quintão afirmou que sua avaliação é muito negativa. “É um governo omisso na questão social, subserviente ao presidente Bolsonaro e refém de alguns grupos econômicos”, apontou. E questionou: “Se você faz uma análise mais criteriosa do governo de Minas, você se pergunta qual a grande obra que foi realizada? Qual foi a relação do governador com o funcionalismo público estadual? Qual foi o hospital regional que ele prometeu concluir e não concluiu? Quais foram as ações de transferência de renda diretamente encaminhadas pelo governador durante a pandemia? Como estão as nossas rodovias estaduais?”.
E desmentiu o discurso de governo eficiente criado pela propaganda do adversário. “Zema fala que arrumou a casa, mas na verdade não arrumou. Ele se beneficiou de uma liminar, deixou de pagar quase R$ 50 bilhões da dívida e isso favoreceu para colocar o pagamento do servidor em dia, o que é uma obrigação. Gostaria que ele explicasse como arrumou a casa, sendo que pegou o estado com R$ 100 bilhões de dívida e vai entregar com R$ 150 bilhões.”
Experiência no Legislativo e democracia
Com cinco mandatos de deputado estadual e líder da oposição do Parlamento mineiro, Quintão fez uma defesa do debate político. “Sou um defensor absoluto da democracia, que prevê o convívio harmônico entre os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Tem que ter respeito entre essas instituições. Independentemente de quem ganhar, espero que o Poder Executivo discuta sua agenda com responsabilidade e com respeito ao Legislativo.”
O candidato também rebateu as críticas do atual governo de Minas sobre a falta de diálogo com o Legislativo mineiro, que, supostamente, estaria bloqueando projetos do Executivo. “Isso é a maior inverdade do governador e dos seus auxiliares mais próximos. A Assembleia colaborou muito com o governo de Minas”, declarou.
E descreveu a relação entre os dois poderes na gestão Zema: “Aprovamos a reforma administrativa porque entendemos que quem ganha eleição pode adequar a máquina administrativa ao seu feitio. A Assembleia aprovou os principais projetos na pandemia, a Lei Geral da Pandemia, dotando o estado de todas as ferramentas de políticas públicas para bem pilotar aquele período, que foi o mais trágico e dramático da humanidade.”
E relatou que há projetos que foram bloqueados, porque os deputados entenderam ser contrários aos interesses do estado. “Não deixamos acabar com a Escola de Saúde Pública como ele queria. Não deixamos acabar com o Ipsemg como Zema queria. Não aprovamos o projeto de adesão ao Regime de Recuperação Fiscal e a privatização da Codemig. Ele colocou urgência nesse projeto de adesão ao Regime de Recuperação Fiscal e ele está travando a pauta.”
Quintão considerou o discurso governista “uma inverdade, uma injustiça”, inclusive com o presidente da Assembleia Agostinho Patrus, que “faz um trabalho extraordinário à frente do Legislativo”.
E voltou a fazer críticas à condução do governo em relação às propostas levadas à ALMG. “O Partido Novo, do governador, tem uma enorme dificuldade em dialogar com o Legislativo. Eles partem do princípio de que eles são donos da verdade e que o Legislativo atrapalha. Uma das grandes polêmicas entre os dois poderes é a adesão ao Regime de Recuperação Fiscal, que o governo tenta a todo custo aprovar”. Para o candidato a vice-governador, “a adesão ao regime de recuperação fiscal, nos moldes que o governador queria, é nefasto para o Estado de Minas Gerais”.
“Como que nós vamos congelar investimentos públicos por nove anos? Como a gente não vai realizar concurso público? Como que a gente vai colocar nas mãos de um técnico da Secretaria do Tesouro Nacional, um do TCU e um da Secretaria da Fazenda do Estado a decisão sobre quais os investimentos Minas Gerais vai fazer durante nove anos? Isso está na lei.”
André também tocou em outra questão delicada para a população. As privatizações de estatais que são consideradas um patrimônio do povo mineiro. “Será que é justo privatizar a Cemig, a Copasa e a Codemig? Nós discordamos”.
Ele lembrou que a CPI da Cemig, conduzida pelos deputados, indicou favorecimentos do governo Zema a aliados do Partido Novo, inclusive de outros estados, e que o Ministério Público está investigando as denúncias.
Convergência com Kalil
O candidato apontou que existe uma grande convergência que une Lula, Kalil, o senador Alexandre Silveira (PSD), que disputa a reeleição, e ele próprio em torno de propostas concretas e prioridades. “O Kalil e eu temos uma grande convergência. O Kalil tem muita sensibilidade social, gosta de cuidar das pessoas.”
Com formação e experiência na área de assistência social, o candidato afirmou que pretende combater “o núcleo duro da extrema pobreza” e que Kalil também tem o mesmo olhar de cuidado para quem mais precisa.
“Kalil fez isso aqui em Belo Horizonte. O orçamento da assistência social em Belo Horizonte é maior do que o de Minas Gerais. Então, a nossa convergência hoje é cuidar das pessoas”, disse.
Na entrevista, Quintão também descreveu os desafios a serem enfrentados diante da situação de abandono do estado após quatro anos de governo Zema. “Nós temos em Minas quase 5 milhões de pessoas em situação de pobreza, passando fome”.

