O ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a afirmar que o PIB pode crescer até 3% em 2022, com a taxa de desemprego caindo para 8%. Segundo ele, o investimento privado está puxando o processo de recuperação da economia brasileira. As declarações foram feitas durante o congresso Latam Retail Show 2022, do setor de varejo.
“O Brasil já está voando de novo e temos R$ 900 bilhões em investimentos contratados aos próximos dez anos. O Brasil está condenado a crescer. Este ano, possivelmente, o Brasil vai ter inflação inferior a dos Estados Unidos. O crescimento do Brasil será maior do que o dos países-membros do G7”, disse.
Guedes também reforçou que o governo registrará em 2022 o primeiro superávit primário nos últimos 13 anos, mas não detalhou o valor. Estimativas da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado, mostram que as contas públicas devem ficar no azul em R$ 71,2 bilhões no ano.
Segundo Guedes, a proporção da dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) também deve voltar ao patamar de janeiro de 2019 se o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pagar os R$ 90 bilhões que ainda deve ao Tesouro Nacional. O ministro destacou que o banco público já devolveu R$ 410 bilhões aos cofres públicos. “Mostramos que é possível controlar a besta dos gastos públicos”, resumiu.
Segundo Guedes, os sucessivos aumentos de arrecadação são compartilhados com a população por meio da queda de impostos.
Despesas orçamentárias X classe política
O ministro da Economia voltou a afirmar que a classe política precisa decidir para onde vão os recursos do orçamento por meio de um processo de desvinculação e desindexação. Segundo Guedes, 96% das despesas orçamentárias são carimbadas e somente 4% podem ser definidas pelos parlamentares.
Segundo o ministro, uma das soluções para reduzir as desigualdades sociais no Brasil é a criação de um fundo de erradicação da pobreza com recursos da venda das estatais.
“Governos passados dizem que estatais são patrimônio do povo. Não vamos desviar recursos das estatais, vamos devolver recursos que são do povo ao povo com a venda das estatais. Não houve crise nos outros governos e eles afundaram o País”, afirmou.
Guedes ainda voltou a defender a criação de um regime de trabalho flexível, baseado no valor pago por hora trabalhada. Segundo ele, essa proposta foi enviada ao Congresso como Carteira Verde e Amarela, mas foi rejeitada pelos parlamentares.
Além disso, o ministro voltou a afirmar que o presidente Jair Bolsonaro (PL) tem compromisso com os mais pobres e que uma mensagem presidencial será enviada ao Congresso para repor os recursos destinados ao programa Farmácia Popular.
“Ora, como todos sabem que a Farmácia Popular é importante, das duas uma: ou as RP9 voltam para financiar a Farmácia Popular ou vamos ter de cortar em outro lugar. O presidente garante que a Farmácia Popular vai seguir. É um desencaixe temporário”, voltou a dizer.
Guedes ainda defendeu que os bancos públicos devem financiar as micro, pequenas e médias empresas, enquanto as grandes devem captar recursos no mercado.
“Tinha campeão com R$ 10 bi na Caixa e outro com R$ 10 bi no BNDES, dissemos para eles irem ao mercado se financiar”, afirmou.
O ministro também voltou a pedir votos para Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato ao governo de São Paulo.

