Pouco mais de um mês e meio após o início do Censo 2022, cerca de 3 milhões de domicílios foram visitados com sucesso pelos recenseadores em Minas Gerais, quase 247 mil deles em Belo Horizonte.

Questionado, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) não avalia se esse é o ritmo ideal para concluir os questionários em novembro, como foi planejado originalmente.

Ao mesmo tempo, recenseadores reclamam do número de recusas de moradores em responder às perguntas e da demora para receberem o pagamento.

Hoje, a taxa de recusa em Minas está dentro do limite admitido, inferior a 5%. No Estado, ela gira em torno de 1,53%, segundo dados do IBGE compilados na manhã desta sexta-feira (16). Na capital, ela sobe para 3,03%. De acordo com o IBGE, não existe um percentual mínimo exigível da taxa de recusa por setor para que o recenseador seja pago pelo trabalho.

Recenseadores ouvidos pela reportagem, entretanto, relatam que só têm conseguido finalizar a pesquisa em cada região e fazer a solicitação do pagamento quando têm menos de 5% de taxa de recusa.

“Cheguei a ir dez, 15 vezes em alguns lugares e não achei ninguém. Tem gente que fala que não quer, que não precisa responder e que vai fechar a porta na minha cara, jogar água em mim. Tivemos azar porque, como estamos em ano de eleições, pessoas mal informadas acham que o Censo é ligado a política, a Lula ou a Bolsonaro, e muitas se recusam a responder”, descreve uma recenseadora que trabalha em Belo Horizonte.

Após finalizar um setor em um mês, ela receberá pouco mais de R$ 1.000. O valor médio de pagamento por setor, até agora, é de R$ 1.300, detalha o IBGE. O instituto fornece uma ajuda de custo no transporte aos recenseadores, mas não auxílio para alimentação, pois espera que eles comam em casa.

Após desistência de alguns trabalhadores, o IBGE abriu mais um processo seletivo neste mês, com 7.795 vagas para recenseadores. As inscrições permanecem abertas até esta sexta. O IBGE afirma não realizar estatísticas sobre quantos trabalhadores desistiram até agora.

O Censo é a pesquisa demográfica mais importante do país e fornecerá a base para as políticas públicas do governo nos próximos anos. A expectativa inicial do IBGE é iniciar a divulgação dos dados em dezembro de 2022.