Em uma roda de conversa, na cidade de Montes Claros, o candidato ao governo do Estado, Alexandre Kalil (PSD), ouviu demandas dos povos tradicionais do Norte de Minas, de representantes da agricultura e da educação. No encontro, o ex-prefeito de Belo Horizonte, acompanhado da esposa Ana, ressaltou a importância da preservação de culturas como a dos quilombolas, defendeu a liberdade religiosa e o ensino e pesquisa como formas de transformação social.
“investimento em Ciência e Educação é um investimento em qualidade de vida, isso a Ásia nos ensinou há 30 anos. Quem ignora da educação infantil à universidade está ignorando o futuro. Esse governo deixou as estradas acabarem, tudo bem, mas deixar a saúde acabar, igual estamos vendo agora, que não tem remédio, e deixar a educação acabar é condenar um Estado à regressão”, afirmou.
Kalil ouviu queixas e reclamações sobre o abandono e o descaso do atual governo de Minas com as universidades estaduais. A vice-presidente do diretório central dos estudantes da Unimontes, Nicolly Souza, lamentou o momento atual em que a universidade está passando e relatou uma situação absurda.
“Não é segredo para ninguém que o governador Zema tem uma política de privatização muito grande. Ele não conseguiria privatizar a Unimontes logo de cara, e foi cortando. Os estagiários que tinham café, pão e leite, agora não recebem nem café mais. O Zema não valoriza a educação, só quer privatizar. A Unimontes é uma das maiores universidades estaduais do Brasil e não merecia passar pelo que está passando”.
Nicolly revelou ainda a preocupação com o Hospital Universitário, que atende exclusivamente pelo SUS, e que pode perder o financiamento estadual. A estudante, no entanto, tem esperança com a eleição de Kalil para o Governo de Minas.
“A gente consegue dialogar com o Kalil, ele é muito aberto, e junto com o Lula vão se alinhar e fortalecer as universidades. Se o Kalil não ganhar, não sei nem o que vamos enfrentar nos próximos anos, é uma questão de sobrevivência”, definiu.
Povos tradicionais
Indígenas, quilombolas, geraizeiros e vazanteiros são alguns dos povos tradicionais do Norte de Minas, e as demandas deles também foram apresentadas ao candidato Alexandre Kalil.
O antropólogo e professor da Unimontes, João Batista, fez um resumo sobre a diversidade cultural na região que é histórica, e explicou que é fundamental um avanço na forma como os órgãos ambientais se relacionam com a cultura de produção dos povos tradicionais.
“Temos aqui formas diferenciadas de manejo, e esse pessoal, a partir dos anos 60, foi perdendo seu espaço e ficou encurralado. Neste manejo, existe uma rotação de área porque não há uso de adubos químicos. De quatro em quatro anos, eles vão mudando de lugar, e muitas vezes, quando voltam para uma área, a polícia ambiental não permite e eles são multados”, explicou.
João Batista também revelou preocupação com a tendência da Unimontes de reduzir os cursos presenciais, e investir somente nas aulas à distância.
Volta dos programas
Representantes da agricultura familiar também participaram do encontro, e pediram a Alexandre Kalil programas que já existiram na região, em especial durante o governo do ex-presidente Lula, e que eram fundamentais para a região.
“A agricultura familiar não precisa de muita coisa: é infraestrutura para escoar a produção e a retomada dos programas que já existiram. O programa de distribuição de sementes, de leite, volta com a Secretaria Regional do Norte. É voltar ao que era, que foi tirado do povo daqui que foi abandonado. Foi isso que escutei aqui”, contou Kalil.
A agenda do candidato em Montes Claros começou na noite de quinta-feira (15/09), quando ao lado de Lula, participou de um ato emocionante da Praça da Central, que reuniu milhares de pessoas.

