Representantes de entidades e organizações do movimento negro se reuniram com o candidato ao governo de Minas Gerais, Alexandre Kalil (PSD), para manifestar apoio à sua candidatura e debater estratégias de combate ao racismo e promoção da igualdade racial. O encontro, em Belo Horizonte, na manhã desta sexta-feira (23/09), ocorreu ao redor de uma mesa em que a troca de ideias se deu em tom informal, mas que serviu para reafirmar o compromisso de Kalil com o diálogo com a sociedade civil e os movimentos sociais.

“Vamos pragmatizar este movimento, vamos orçar isto e aquilo, como vai ser distribuído isto, em comum acordo com representantes, dois, três, mas que estejam autorizados por todos os grupos e movimentos, para estabelecer uma política única e desburocratizada”, afirmou o candidato, lembrando que, quando prefeito de Belo Horizonte, manteve as portas abertas para todos, inclusive alguns dos presentes na reunião.

Kalil reforçou que a política deve ser tratada com empatia e seu governo será guiado pela responsabilidade e pragmatismo, mas também pelo coração. “Nós, negros e negras, acreditamos na política do afeto que nos reconheça enquanto pessoa, cidadãs e cidadãos, importantes para a formação desse Estado”, disse Makota Zelinha Gonçalvez, coordenadora-geral do Centro Nacional e Africanidade e Resistência Afro-brasileira (Cenarab).

O ex-prefeito de BH também destacou a necessidade de punição para atos de injúria racial e racismo, de maneira que esse tipo de crime não seja tão frequente, e que o racismo estrutural seja desmontado.

“A gente sabe que o racismo é estrutural e a gente precisa ter políticas públicas com oportunidades iguais para toda a população. Como esse racismo é estrutural e é do colonizador, ele ainda está muito introjetado nas pessoas”, declarou Ofélia Hilário, da Coordenação Nacional de Entidades Negras e da Rede de Mulheres Negras.

Críticas a Zema

“Sabemos que nosso atual gestor estadual não tem compromisso com aqueles mais pobres, com aqueles que vêm da periferia. Estamos juntos com Lula e Kalil para ajudar aqueles que sabem que a gente precisa de uma universidade pública de qualidade, de educação pública de qualidade, que valorize o professor para que ele traga pautas sobre a igualdade racial, pautas sobre os indígenas e os quilombolas”, apontou Aruatan Leones, militante do Levante Popular da Juventude.

Alexandre Braga, presidente da União de Negros e Negras pela Igualdade (Unegro-MG), disse que estava no encontro com Kalil “para registrar o apoio do movimento negro e dos indígenas e povos tradicionais a essa campanha”.

“É muito importante que o Kalil vença para que retome as políticas públicas contra o racismo, pela promoção da igualdade racial, além de retomar o desenvolvimento social, o emprego e a fome que está gritante aqui em Minas Gerais”.

Carta com demandas

Os representantes entregaram uma carta com demandas do movimento negro, destacando as prioridades. Entre elas, as entidades pedem ao candidato a criação de uma política de combate à violência institucional, fato que realizou na gestão da Prefeitura ao promover uma campanha junto aos servidores da Guarda Municipal sobre os lugares e práticas sagradas às religiões de matriz africana.

Outra demanda é uma política de combate ao feminicídio, já que Minas Gerais hoje lidera o triste ranking de assassinatos contra mulheres, a maioria delas negra. Em 2021, foram 154 casos, três a mais que em 2020. Até maio deste ano foram 142 registros de feminicídios tentados ou consumados de acordo com a Secretaria de Segurança Pública do estado.

Na sua gestão frente à PBH, Kalil concluiu o Plano Municipal de Promoção da Igualdade Racial, importante marco para ações no combate a discriminação e promoção da igualdade racial. “Kalil se compromete e se comprometeu como ele já fez em Belo Horizonte, promovendo essas políticas de igualdade racial. Agora, no Estado, ele vai ter oportunidade de avançar muito mais, principalmente nos escutando, tendo a nossa presença no seu governo”, reiterou Ofélia.

Outro aspecto importante destacado por todos os participantes do encontro é a disposição do candidato ao diálogo. “Kalil mesmo disse que não sabe tudo, mas está disposto a aprender. Ele quer ouvir, quer dialogar e ele tem paciência para isso. Ele tem essa consciência e tem essa abertura para aprofundar e conhecer mais sobre essas cotas raciais”, completou Ofélia.

Pai Ricardo, zelador de umbanda, diretor da Reunião Umbandista Mineira (RUM), também ressaltou essa qualidade do candidato. “Kalil tem abertura para a escuta e para aprender sobre as questões raciais e religiosas e do direito a rezar”. “Pudemos conversar sobre os planos e estratégias que o movimento negro tem para combater o racismo em todas as suas formas e suas nuances”, declarou ao término do evento.

Makota fez questão de apostar na vitória nas urnas: “Estamos aqui porque acreditamos que vamos virar esse processo eleitoral. Vamos assegurar a vitória de Lula e de Kalil, porque Minas Gerais tem sua vocação para a liberdade, mas precisa mais ainda reafirmar a democracia”.


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