O acordo entre Belo Horizonte, Contagem, Copasa e Ministério Público Federal (MPF) para traçar novas metas para a recuperação da lagoa da Pampulha, cartão-postal da capital mineira, representa um avanço, na visão da prefeita de Contagem, município localizado na região metropolitana, Marília Campos (PT).
“Pela primeira vez, a estratégia está focada no enfrentamento das questões da bacia como um todo. Até então, as ações tiveram pouca eficácia. Alguns anos atrás, realizamos, via Programas de Aceleração do Crescimento (PACs), do governo federal, ações e remoções de pessoas que viviam à beira de córregos, mas o trabalho a ser feito na bacia da Pampulha é mais abrangente do que a maioria das pessoas imagina”, diz Marília.
Segundo ela, esta é uma atuação de médio e longo prazo, que inclui trabalhos ambientais e sociais. O plano prevê a ligação de mais de 9 mil imóveis à rede coletora de esgoto da Copasa, retirando o lançamento indevido nos córregos que deságuam no cartão postal de Belo Horizonte, a lagoa da Pampulha.
“No passado, desocupamos moradias de pessoas que viviam às margens do córrego Muniz, e outras voltaram a ocupar o local. A remoção precisa de planejamento para o reassentamento em locais dignos e seguros. Nesta gestão, herdamos uma série de aprovações imobiliárias de projetos em loteamentos irregulares no município, um desafio a mais para nossa administração”, comenta Marília, que exerce seu terceiro mandato à frente de Contagem, com cerca de 650 mil habitantes.
O município realiza a limpeza e o desassoreamento anual de mais de 70 córregos, sendo mais de 30 na bacia da Pampulha – de janeiro a julho de 2022, a prefeitura investiu R$ 2 milhões no serviço, um contrato de R$ 5,3 milhões por ano.
“A partir do novo acordo selado com BH e MPF, teremos monitoramento via fiscais da Vigilância Sanitária, para orientar e notificar os responsáveis por despejos irregulares nos cursos d’água”, acrescenta Marília.
Projetos em mananciais importantes
A prefeita informou ainda que o município tem três projetos ambientais em córregos importantes para a lagoa da Pampulha, para transformar seu entorno em áreas verdes de lazer.
No córrego Muniz, a obra já tem projeto e deve ser licitada em breve, com investimentos de R$ 1,48 milhão, e contempla intervenções de saneamento, retificação de seção do córrego e urbanização no entorno do córrego no bairro Carajás/Vila Sapolândia.
No córrego do Tapera, a situação é similar, com projeto pronto e licitação prestes a ser divulgada. As obras, orçadas em R$ 6 milhões, contemplam drenagem e saneamento completo no bairro São Sebastião, próximo à BR–040, bacia da rua México, beco Honduras e ribeirão do Tapera, além da implantação do Parque Linear do Tapera. No Vale das Orquídeas, o projeto executivo ainda precisa ser elaborado, e não há valor definido.

