O dólar fechou em forte alta nesta quinta-feira (10), com os investidores reagindo às incertezas em relação ao controle das contas públicas no governo do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. Também pesou contra o real neste pregão a divulgação da inflação de outubro, que subiu acima das expectativas do mercado.

A moeda norte-americana encerrou o dia em alta de 4,10%, cotada a R$ 5,3942 – a maior cotação de fechamento desde 29 de setembro, quando encerrou a R$ 5,3950, e maior alta diária desde 16 de março de 2020, quando subiu 5,16%, durante o início da crise provocada pela Covid-19.

Com o resultado, a moeda acumula alta de 6,63% na semana, e de 4,43% no mês. No ano, ainda tem queda, de 3,24% frente ao real.
O que está acontecendo?

Segundo Vanei Nagem, sócio-diretor da Pronto! Investimentos, a alta do dólar frente ao real é resultado da especulação no mercado doméstico, diante das sinalizações de que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Transição deve prever um furo de até R$ 175 bilhões do teto de gastos.

A proposta foi a solução encontrada pelo governo eleito para tentar garantir a manutenção do Auxílio Brasil em R$ 600 em 2023, uma das promessas feitas por Luiza Inácio Lula da Silva (PT) durante a campanha eleitoral. O vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB), deve conduzir a elaboração do texto ao longo dos próximos dias.

Mas, segundo analistas, ainda há muitas dúvidas sobre a PEC. “Há especulações sobre o novo governo e sobre os impactos que esses R$ 175 bilhões devem trazer”, afirma Nagem.

Além disso, a forma como isso está sendo executado também não agrada muito o mercado. Há questionamentos sobre a parte legal e dúvidas sobre de onde esses recursos devem vir. Isso coloca pressão e aumenta a especulação”, completa o executivo.

Outro ponto que também fica no radar do mercado nesta quinta-feira são os dados de inflação divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Segundo o órgão, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do Brasil, interrompeu uma sequência de três deflações consecutivas e registrou um avanço de 0,59% em outubro.

A alta dos preços, segundo analistas, também aumenta os temores de um descontrole fiscal.

“A alta de outubro serve de alerta de que inflação ainda não está totalmente controlada e, para a política monetária ter efeito mais eficiente, é importante ser seguida de um fiscal também mais contido”, afirmou a economista-chefe do Banco Inter, Rafaela Vitoria, em publicação no Twitter.


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