Levantamento do deputado federal Elias Vaz (PSB-GO) no Portal da Transparência revelou aumento de gastos sigilosos do presidente Jair Bolsonaro durante o período eleitoral.

As faturas de agosto, setembro e outubro do cartão corporativo somam R$9.188.642,20, média de R$3.062.880,73 por mês. Para se ter uma ideia do impacto dos gastos, o valor supera em 108% a média mensal do ano passado, que foi de R$1.574.509,64.

Os valores são absurdos! Enquanto temos 33 milhões de brasileiros passando fome, Bolsonaro torra milhões com cartão corporativo, pago com dinheiro público, mantendo os gastos sob sigilo”, destaca o parlamentar.

Elias Vaz já apresentou requerimento à Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara solicitando auditoria do Tribunal de Contas da União nas despesas de agosto a outubro.

O deputado quer saber qual a natureza dos gastos nesse período em relação à média anterior, incluindo alimentação, hospedagem e passagens aéreas. Também pede informações sobre o quantitativo de pessoal que acompanhou o presidente e se as despesas coincidiram com agenda de campanha.

Auditoria

“É preciso passar um pente fino sobre esses gastos. A auditoria é fundamental para detectar se houve abuso no período eleitoral com recursos públicos”, salienta Elias Vaz.

O congressista indicou um valor de 22,7 milhões de reais nos gastos totais do início do ano até 8 de novembro (22.751.636,53), montante que supera todos os acumulados nos anos anteriores do mandato: 14,8 milhões em 2019; 19,1 milhões em 2020; e 18,8 milhões em 2021.

O requerimento questiona:

Qual a natureza dos gastos que se apresentaram discrepantes em relação à média anterior, alimentação, hospedagem, segurança e passagens aéreas;

Se mais pessoas acompanharam o presidente nesse período e se os gastos realizados coincidiram com as agendas de campanha;

Se houve locação de veículos e serviços que não foram contratados nos meses anteriores, ou seja, surgiram necessidades novas nesse período;

Se houve gastos que podem ser caracterizados como típicos da promoção de eventos públicos;
Se houve aumento dos gastos com locações de veículos e passagens aéreas;

Se houve despesas que podem ser consideradas gastos voltados à campanha eleitoral;

E qual é a justificativa técnica para que a média tenha aumentado em mais de 100%.

Diante dessa explosão de gastos no período eleitoral, é preciso que o TCU realize uma auditoria para que a legalidade e a legitimidade dessas despesas sejam atestadas”, escreve o deputado.


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