Governo eleito planeja encontros de líderes internacionais em 2023, 2024 e 2025.
O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva quer colocar o Brasil na rota das principais cúpulas internacionais, como forma de recuperar a credibilidade diplomática do país no exterior e voltar a ser protagonistas em alguns dos principais temas globais.
Para 2023, o governo quer usar já o primeiro ano de mandato para sediar na Amazônia uma conferência internacional sobre o Clima. A costura está sendo feita inclusive com o governo de Gustavo Petro, na Colômbia, e deve estar no foco das atenções do mundo quando Lula subiu ao palco no Egito para discursar nesta quarta-feira.
Para os articuladores da nova política externa, a Amazônia servirá de cartão de visitas de uma nova inserção internacionais do país, reabrindo portas para outros debates e servindo de fiadora para o retorno do Brasil no cenário internacional.
No segundo ano do governo, em 2024, o foco será o G20, bloco que reúne as maiores economias do planeta. O Brasil assume a presidência do principal grupo político do mundo e terá de organizar uma dezena de reuniões setoriais, além da própria cúpula do G20, no final do ano.
A agenda de 2024 começará já a ser trabalhada a partir do ano que vem. Mas a esperança é de que o mundo possa finalmente começar a falar em uma real recuperação da economia, depois de dois anos de pandemia e um ano de guerra na Ucrânia. Incertezas geopolíticas devem, porém, continuar a dominar o cenário internacional.
O encontro no Brasil ainda tem como meta apagar presenças desastrosas de Bolsonaro em cúpulas anteriores. Na Cúpula de 2021, em Roma, o presidente faltou a reuniões, ficou isolado e não teve encontros bilaterais com nenhum dos grandes líderes.
Para 2025, a meta é ainda a de atrair para o Brasil a Cúpula do Clima, a COP30. Lula deve fazer um gesto durante sua passagem pelo Egito, nesta semana.
Para a edição em três anos, caberá à América Latina sediar e, nos bastidores, embaixadores brasileiros já percorrem missões estrangeiras tentando costurar um apoio de toda a região para que o Brasil seja a sede.
Em 2019, a COP seria realizada no Brasil. Mas antes mesmo de assumir o governo, o então presidente eleito Jair Bolsonaro anunciou aos organizadores do evento que o país não teria mais interesse em realizar a cúpula. A ONU foi obrigada a acelerar uma mudança de planos, ainda que uma parcela dos organizadores respirou aliviado diante da decisão do Brasil.
O temor era de que, com um governo cético em relação às mudanças climáticas, seria o próprio processo negociador que ficaria estagnado ou até mesmo sofreria retrocessos caso estivesse nas mãos de Ricardo Salles, naquele momento o ministro de Meio Ambiente.
Com a organização das cúpulas, o governo Lula quer dar um sinal de que o Brasil vai estar nas mesas de negociações e quer ter sua voz ouvida. Membros da equipe do presidente eleito já indicaram que um dos focos da política externa será o de assumir temas globais, como segurança, paz, comércio, desenvolvimento, meio ambiente e combate à fome.
Além desses eventos, Lula ainda estará no Conselho de Segurança da ONU, em seu primeiro ano de governo e como herança da volta do Brasil ao órgão durante a gestão de Bolsonaro. O Itamaraty também conduzirá uma campanha para obter votos para que, em 2024, o Brasil volte a ocupar uma das cadeiras do Conselho de Direitos Humanos da ONU, num mandato que irá até 2026.

