A ascensão de Gilberto Kassab nos bastidores da política de São Paulo está preocupando o entorno mais próximo de Luiz Inácio Lula da Silva.
A leitura é de que a vitória na disputa pelo governo de São Paulo deixou o ex-ministro e atual presidente do PSD, considerado um dos mais habilidosos e arrojados articuladores políticos do país, em uma posição muito fortalecida para negociar ministérios com a equipe do presidente eleito.
Ou seja, como terá uma máquina forte na mão para fazer política nos próximos quatro anos, Kassab poderá se dar ao luxo de não aceitar uma pasta de baixo poder orçamentário na futura Esplanada do petista. Segundo um interlocutor do ex-ministro, ele está “muito confortável” nas negociações em curso.
Kassab pleiteia para seu partido o Ministério das Cidades, que deverá ser recriado por Lula. O ex-ministro também teria pedido outras pastas para acomodar indicados do PSD, além de esperar contar com o apoio do Planalto na reeleição de Rodrigo Pacheco (PSD-MG) na presidência do Senado.
A questão é que o próprio PT também cobiça Cidades, pasta considerada estratégica. Um dos nomes citados nos bastidores para o cargo, por exemplo, é o do ex-prefeito Fernando Haddad, sempre apontado como possível sucessor do próprio Lula a partir de 2026.
Com 42 deputados federais eleitos e 10 senadores que terão mandato a partir de 2023, o partido comandado por Kassab é considerado fundamental pelo PT para a formação de uma base de apoio do Congresso que tenha como objetivo diminuir o poder do centrão.
Em São Paulo, o PSD, junto com PL e Republicanos, forma o eixo central da futura administração de Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos).
É dado como certo nos bastidores da transição paulista que Kassab terá força e espaço no governo, além de contar o vice-governador eleito, Felicio Ramuth (PSD), indicado pelo ex-ministro para o posto.
O PSD está cotado para comandar a Casa Civil de Tarcísio ou a Secretaria de Governo, fundamentais na administração estadual. A boa posição ocupada por Kassab é fruto do movimento arrojado e um tanto visionário que ele fez na eleição ao apoiar Tarcísio, mesmo estando rompido com o presidente da República, Jair Bolsonaro (PL).
No âmbito federal, o PSD adotou na eleição uma posição de neutralidade e liberou seus filiados nos estados para apoiarem Lula ou Bolsonaro. Por isso, dentro da coligação há muitas restrições ao empoderamento de Kassab em detrimento de quem esteve com o presidente eleito desde o primeiro momento na disputa.

