O deputado federal José Guimarães (CE), vice-presidente nacional do PT, afirmou neste domingo (27) que o partido decidirá se apoia a reeleição do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), nesta terça-feira (29), às 14h.

Segundo o petista, a “prioridade absoluta” do governo eleito de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é aprovar a PEC da Transição, a viabilizar o pagamento do Bolsa Família de R$ 600.

Em entrevista à CNN Brasil, Guimarães afirmou que o diálogo com Arthur Lira tem a PEC como elemento central. O presidente da Câmara teria se comprometido “a votar imediatamente” a proposta que for aprovada no Senado, a fim de acelerar a conclusão da tramitação.

“Evidentemente que Lira quer se reeleger e nós começamos a dialogar com ele sobre a nossa participação na reeleição, tendo em vista os interesses do governo. Isso é o que estamos fazendo, no sentido de, nessa semana, podermos fechar essa construção, anunciando a posição oficial do PT”, afirmou o vice-presidente do partido.

Segundo ele, uma definição ainda não foi anunciada porque o PT “tem ritos” e mantém diálogo com PCdoB e PV – com os quais forma uma federação – e com o PSB, do vice-presidente eleito Geraldo Alckmin.

“Pretendemos até terça-feira concluir essa etapa, ou seja, nos lançarmos na perspectiva de uma composição com o atual presidente Arthur Lira, garantindo a nós, do PT, partidos da federação e ao novo governo uma ação institucional de respeito mútuo, com pautas.”

Lula terá uma semana decisiva para os rumos iniciais do novo governo. Ele vai desembarcar em Brasília nesta segunda-feira (28) com o objetivo de destravar as negociações em torno da PEC.

Ele também terá de lidar com a pressão para indicar seu ministro da Economia – ou da Fazenda, como deve voltar a se chamar a pasta a partir de 2023. Na sexta (25), Fernando Haddad (PT), o favorito para chefiar a área, representou o presidente eleito em um evento organizado pela Federação Brasileira dos Bancos, a Febraban.

A Proposta de Emenda à Constituição defendida pela equipe de Lula abre um espaço fora do teto de gastos de 198 bilhões de reais. Além de assegurar o novo Bolsa Família, poderia turbinar investimentos e recompor gastos em áreas prioritárias, como saúde e educação.

O novo governo defende que a licença para o Bolsa Família funcionar fora do teto deveria durar, no mínimo, quatro anos. A proposta, porém, enfrenta resistência no Parlamento, especialmente de lideranças do Centrão, que desejam avalizar o extrateto por apenas um ano. Seria uma forma de exercer nova pressão sobre Lula em 2023.

‘Praticamente resolvido’

O deputado federal e líder do PT na Câmara dos Deputados, Reginaldo Lopes, disse que existe um otimismo da Federação Brasil da Esperança, que engloba PT, PCdoB e PV, para sinalizar apoio à reeleição do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

“Está praticamente resolvido na Câmara o apoio a Lira”, disse à Globo News. A discussão será encaminhada em reunião da bancada petista nesta terça-feira.

Lopes ainda indicou que existe um acordo entre os partidos com Lira para estabelecer um rodízio para o comando das comissões de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e a do Orçamento (CMO).


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