A bancada do PSOL descartou apoiar a reeleição de Arthur Lira (PP-AL) para o comando da Câmara dos Deputados. A disputa será realizada em fevereiro de 2023.

A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (30), um dia depois das bancadas do PT, PCdoB e PV, que formam uma federação, e do PSB, confirmarem apoio à recondução de Lira em busca de um acordo de governabilidade para o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Nas eleições deste ano, o PSOL coligou com o PT, o PCdoB, o PV e o PSB em favor da chapa de Lula com o vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB). Estiveram juntos também no pleito os partidos Rede Sustentabilidade – que formou federação com o PSOL -, Solidariedade, Agir, Avante e PROS.

Na avaliação do partido, “é inegável a importância de quem exercerá essa função” e “fundamental que o futuro presidente da Casa tenha compromisso com as liberdades democráticas e com as pautas sociais referendadas nas urnas na eleição presidencial”.

Para o PSOL, votações foram realizadas “a toque de caixa” na gestão de Lira, “como autonomia do Banco Central, congelamento de salário de servidores públicos, privatização da Eletrobrás e desmonte ambiental (com o autolicenciamento)”.

Os últimos dois anos foram marcados pelo comando de Arthur Lira, representante do Centrão e, sobretudo, aliado de primeira hora do governo Bolsonaro. Com o instrumento absurdo do Orçamento Secreto, capturou o Orçamento da União e ganhou mais poder do que qualquer outro Presidente da Câmara na história da Nova República teve em suas mãos”, disse o partido por meio de nota.

Não podemos aceitar sua reeleição como fato consumado. Uma nova correlação de forças precisa ser construída, confrontando o Orçamento Secreto e a lógica de fisiologismo do Centrão, que apequena a Política. Por isso, a Bancada do PSOL não apoiará a reeleição de Lira e defende a construção de uma alternativa à Presidência da Câmara, prioritariamente em unidade com os partidos do campo progressista. Precisamos de um comando da Câmara que expresse a pauta vitoriosa nas urnas, ajude na reconstrução do país e contribua na superação da pauta bolsonarista”, acrescentou o PSOL.

A nota foi assinada pelos atuais deputados federais Sâmia Bomfim (SP), Aurea Carolina (MG), Fernanda Melchionna (RS), Glauber Braga (RJ), Ivan Valente (SP), Luiza Erundina (SP), Talíria Petrone (RJ) e Vivi Reis (PA), além dos deputados eleitos e que tomarão posse no próximo ano Célia Xacriabá (MG), Chico Alencar (RJ), Erika Hilton (SP), Guilherme Boulos (SP), Pastor Henrique Vieira (RJ), Sônia Guajajara (SP) e Tarcísio Motta (RJ).


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