A UFU (Universidade Federal de Uberlândia) ficou com R$ 71 na conta após o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) bloquear R$ 2,7 milhões do orçamento da instituição no final de novembro.

Nesta semana, a universidade comunicou que um novo bloqueio zerou completamente os recursos para o mês de dezembro, e que não tem mais como pagar auxílio estudantil e os contratos de alimentação, segurança, limpeza e transporte.

É uma situação de extrema gravidade“, disse o reitor, Valder Steffen Junior. “Não há experiência anterior como essa para enfrentarmos com base em alguma referência do passado. A nossa esperança é que autoridades em Brasília revejam essa situação e devolvam nosso orçamento”.

A situação é a mesma da UnB (Universidade de Brasília), que informou nesta semana que não tem recursos para os pagamentos de dezembro. Em nota, a reitoria explicou que o novo bloqueio do governo federal retirou mais de R$ 17 milhões da instituição, deixando “insustentável” o que já era considerada uma “situação dramática”.

No último dia 1º de dezembro, em menos de 6 horas, o governo de Jair Bolsonaro (PL) desbloqueou e voltou a bloquear os recursos das universidades e institutos federais. O bloqueio inicial dos valores havia sido feito na segunda-feira (28), travando cerca de R$ 1,4 bilhão na área da Educação, sendo R$ 344 milhões de universidades.

Depois, o MEC (Ministério da Educação) chegou a liberar parte dos recursos. Mas, antes mesmo que a verba pudesse ser usada para qualquer pagamento, o Ministério da Economia fez novo bloqueio.

A reportagem tenta contato com o MEC desde segunda-feira (5) para entender a situação. Caso haja resposta, o texto será atualizado.

O governo de transição para o próximo mandato do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou que o MEC não tem como pagar em dezembro os 14 mil médicos residentes de hospitais federais e outros cerca de 100 mil bolsistas da Capes após o congelamento de verbas.

Em entrevista coletiva, o ex-ministro Aloizio Mercadante, que lidera o grupo temático da Educação no governo de transição, acusou o atual governo de desperdiçar os recursos da Educação na tentativa de comprar votos para a eleição deste ano.

É muito difícil o governo de transição resolver o problema de quem está governando. Eles é que têm que resolver. Não fomos procurados. E, se tem alguém que não deve pagar por brigas políticas, esse alguém são as crianças”, declarou.

Além dos cortes nas universidades, a educação básica também pode ser afetada. A equipe de transição alertou que, com os cortes, milhões de alunos podem ficar sem livros didáticos no início do ano que vem.

O limite orçamentário pode gerar uma situação, no caso do livro didático, onde não teremos empenho nem a contratação dos livros didáticos, o que pode implicar um atraso na entrega dos livros nas escolas de ensino básico no Brasil”, afirmou o ex-ministro da Educação José Henrique Paim.


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